Oferta maior de veículos elétricos anima fabricantes de carregadores

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02/10/2019

São Paulo – Os fornecedores de sistemas de recarregamento para baterias de veículos elétricos começam a se animar com o iminente crescimento da demanda por esses modelos, incentivada pela maior oferta de opções nos portfólios das montadoras. Siemens e ABB, dois tradicionais fornecedores de carregadores, estudam como atender a este aumento na procura – e a produção local não está descartada.

 

Ricardo Nakamura, gerente de desenvolvimento de negócios da Siemens do Brasil, admitiu que há estudos internos em andamento para nacionalizar o componente, hoje importado da Europa. “O próximo passo é o crescimento da demanda por postos de recarga, algo que deverá ter forte expansão nos próximos três, quatro anos. Temos planos de produzir nossos postos de recarga em Jundiaí”.

 

Segundo o executivo, não é necessário elevado investimento: basta adicionar uma linha de produção, seguindo o padrão global de suas fábricas. A Siemens já desenvolveu os carregadores de corrente alternada, contínua e os dedicados a veículos pesados. A empresa também tem conversas em andamento com algumas montadoras para fechar parcerias:

 

"Ainda não fechamos nenhuma parceria, mas as negociações estão ocorrendo. A intenção é oferecer junto com a montadora a infraestrutura necessária para os clientes, que é o carro elétrico somado ao carregador para o seu abastecimento".

 

A ABB também espera pela maior demanda por postos de recarga nos próximos anos, segundo Wilson Morais, seu gerente de mobilidade: "O aumento da oferta por parte das montadoras fará com que a demanda por carregadores seja maior nos próximos anos, até porque as vendas também devem crescer".

 

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Morais acredita que a curva de crescimento da infraestrutura para os elétricos no País se acentuará até 2022, com grande demanda vindo também do setor privado, como shoppings, restaurantes, hotéis, condomínios e outros empreendimentos que buscam agregar valor ao seu negócio e atrair os clientes desse nicho de mercado.

 

Por onde começa? Para Morais a maioria dos postos públicos da ABB serão instalados nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, que devem concentrar a maior demanda por elétricos nos próximos anos. A Siemens ainda não definiu onde instalará seus postos mas, segundo Alexandre Sakai, gerente do segmento automotivo da empresa no Brasil, a tendência é também começar pelo Sul e Sudeste:

 

"As montadoras selecionam algumas concessionárias da rede para vender seus veículos elétricos e imaginamos que as maiores demandas virão dessas regiões ".

 

Ambos os executivos fizeram questão de ressaltar que Norte e Nordeste são regiões importantes, mas que representarão parte menor da demanda no começo.

 

Qual setor puxa a fila? Para os executivos as frotas das empresas serão responsáveis por alavancar essa demanda, por uma série de questões como custo total de operação que pode justificar o investimento em veículos elétricos, o fato de saber quantos quilômetros rodam por dia e, com isso, buscar um veículo que tenha a autonomia desejada, os descontos nos impostos e a facilidade para carregar os veículos durante a noite na garagem.

 

Carregamento público - A disponibilidade de carregadores públicos no Brasil também deverá crescer no período e, segundo o gerente da ABB, a empresa espera instalar mais de cinquenta postos de recarga até o final de 2021, que se juntarão aos onze postos que a companhia já instalou. A Siemens ainda não possui nenhum ponto de carregamento público no Brasil, mas já trabalha para isso, disse Nakamura:

 

"Temos alguns de uso privado instalados em parceria com algumas empresas no Sul do País e também temos algumas negociações em andamento para instalar nossos primeiros postos públicos de recarga no ano que vem, em parceria com empresas do setor".

 

Fotos: Divulgação.