Faurecia FMM digitaliza estoque de peças da FCA em Goiana

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São Paulo – A Faurecia FMM, joint-venture da Faurecia com a Marelli e uma das empresas residentes do polo industrial FCA em Goiana, PE, instalou há pouco um novo sistema no estoque de peças da unidade para tornar mais precisas as informações sobre a operação na área e, assim, atender às linhas de montagem do Fiat Toro e dos Jeep Compass e Renegade.

 

Mais do que aprimorar os processos, a aplicação mostra que a Indústria 4.0, conceito com o qual as montadoras instaladas aqui pretendem melhorar a competitividade da produção, vai além da digitalização da manufatura e do ambiente que a cerca – ele trata, também, de quão precisos os dados devem ser dentro de uma fábrica para que a produção de veículos siga em fluxo contínuo:

 

“No caso da FMM o sistema que gerenciava o estoque de peças que alimentam a montagem da FCA tinha um nível de precisão de 90%, mas a empresa verificou que, ainda assim, poderiam ocorrer falhas", observou Werther Padilha, CEO da Taggen. "Na Indústria 4.0 a precisão da informação do que está acontecendo nas linhas tem que estar sempre próxima aos 100%."

 

A empresa foi a responsável por desenvolver e aplicar a sua ideia na unidade da FMM em Pernambuco. Em julho do ano passado começaram os estudos: os gestores do estoque da Faurecia perceberam que com o nível de precisão do seu antigo sistema, baseado em leitura de código de barras, o RFID, existia margem para que não houvesse conhecimento da quantidade real de peças do estoque.

 

Houve então a necessidade de criar um sistema de leitura mais preciso. A solução mais viável para o caso foi inserir sensores nas gavetas onde se estocam componentes de portas, painéis e para-choques: “Toda vez que sai uma peça para a linha da FCA o sensor faz a leitura e insere, via internet, o dado em um sistema, diminuindo a margem de erro acerca da quantidade em estoque”.

 

Este momento é considerado crítico dentro da operação de abastecimento das linhas da FCA. Se há peças a mais no estoque, significa que a FMM empregou força de produção de forma excessiva, o que aumenta o custo operacional com manufatura e material -- ou seja, há dinheiro parado. No caso reverso, o de quantidade de peças menor do que a demanda, o problema pode ser maior:

 

“As montadoras, como é o caso da FCA, trabalham as linhas de forma a ter uma produção contínua de acordo com o conceito de just in time. Se falta a peça a linha para. E imagine o tamanho do prejuízo de uma linha parada aguardando o fornecedor produzir as peças”.

 

Para mitigar esse risco, que é real, fornecedores trabalham com uma espécie de margem de segurança para manter a produção, apesar de qualquer que seja o inconveniente: “Mais uma forte razão para que os dados no estoque sejam precisos o suficiente para que os gestores saibam fazer as manobras necessárias no decorrer da operação”.

 

Os sensores instalados nos cerca de quatrocentos hacks do estoque da FMM, os beacons, conversam por meio de protocolo de comunicação virtual – isso é o que se tem chamado de IoT no mercado, ou internet das coisas, na tradução livre do inglês. Sensores enviam uma série de dados para plataformas digitais, seja um computador ou smartphone, e, a partir deles, executivos e engenheiros tomam suas decisões.

 

Existe um patamar ainda maior, que é o da inteligência artificial, quando é o próprio sistema que analisa os dados capturados na fábrica e sugere caminhos aos gestores por meio de relatórios. Não é o caso nesse projeto da Taggen na Faurecia FMM, mas poderá ser um dia:

 

“A aplicação de ferramentas 4.0 é um processo contínuo", contou Padilha. "A fábrica da FCA em Goiana é uma das mais modernas do mundo e, por isso, ela e seus fornecedores estão sempre buscando as novas tecnologias”.

 

O novo sistema estava em operação-teste desde fevereiro, passando a funcionar no segundo semestre.

 

Foto: Divulgação.