Prefeitura calcula perdas com a saída da Ford

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Foto Jornalista Caio Bednarski

Por Caio Bednarski

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19/02/2020

São Paulo – Sem operação na fábrica do Taboão, onde a Ford produziu caminhões até outubro do ano passado, a prefeitura de São Bernardo do Campo, SP, perderá em 2020 cerca de R$ 14 milhões em tributos como ICMS e ISS, de acordo com o prefeito Orlando Morando Júnior.

 

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“Neste ano deixaremos de arrecadar R$ 10 milhões em ICMS e R$ 4 milhões em ISS, repassados do Estado ao município”, disse o prefeito à Agência AutoData. Ele negou, no entanto, que a saída da Ford afete o desenvolvimento da cidade: “O maior prejuízo foi perder tantos postos de trabalho, mas ainda temos muitos locais que poderão abrir novas vagas”.

 

A Ford ainda recolhe o IPTU do terreno, que está à venda. Segundo Morando o pagamento do imposto integral foi antecipado pela companhia – medida que pode, de alguma maneira, indicar que a Ford não espera negociação envolvendo Taboão no curto prazo.

 

O prefeito disse que a única negociação que chegou à sua mesa foi a que envolvia a Caoa – e que não avançou. A ele nada foi relatado sobre possíveis novos interessados, embora governo, Ford e até potenciais compradores tenham se manifestado sobre conversas:

 

“Na minha mesa não tem nada até o momento. Sobre o interesse da BYD fiquei sabendo pela imprensa, não houve nenhuma conversa por aqui. Queremos negociar a fábrica, mas até agora não fomos procurados”.

 

Desde o anúncio do fim das operações da Ford em São Bernardo o governo do Estado de São Paulo assumiu a responsabilidade de encontrar um comprador para a unidade, junto com a Prefeitura e a própria montadora. Porém as conversas com o Grupo Caoa e outros interessados não avançaram ao longo de 2019 e, em 2020, o panorama segue envolto pelos ares da incerteza.

 

No fim do ano passado o governador João Doria disse que depois de todo o trabalho feito as conversas estavam nas mãos da iniciativa privada: “Isso é um negócio do privado para o privado. Nós já estimulamos o máximo possível e já foi absorvida uma quantidade expressiva de mão de obra em outras indústrias, como a General Motors. Estamos torcendo para que haja um desenrolar positivo mesmo que não seja com a Caoa”.

 

Procurada pela reportagem de AutoData a assessoria do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, não quis se pronunciar a respeito do assunto. A Secretaria da Fazenda informou por meio de nota que “não estava participando das negociações, as quais são tratadas em sigilo”.

 

O encerramento da produção acendeu uma luz de alerta para a cadeia de fornecedores que está instalada na região de São Bernardo do Campo, mas, segundo a Prefeitura, nenhuma empresa encerrou as operações na cidade por causa da saída da montadora: “O que pode acontecer é o registro de um faturamento menor por parte dos fornecedores que abasteciam a unidade”.

 

Morando disse ainda que o fim da produção da Ford foi “um ponto fora da curva causada por má administração e falta de investimento”, e que a medida é resultado de “produtos ultrapassados que perderam seu espaço no mercado”. Ele descarta a possibilidade de outras montadoras tomarem decisão semelhante: “Outras montadoras estão investindo em suas fábricas na região, olham para o longo prazo e vão muito bem”.

 

Ele ainda mantém otimismo a respeito de um desfecho positivo envolvendo a fábrica do Taboão – coloca como uma de suas metas até o fim de mandato, que se encerra em dezembro: “Enquanto eu for prefeito ali será uma unidade industrial. Não queremos que o terreno seja usado para outro tipo de empreendimento. Nossa preferência é pela chegada de outra empresa do setor automotivo, mas, caso empresas de outros setores estiverem interessadas, elas serão muito bem vindas”.

 

Foto: Divulgação.