A fila está andando em Camaçari

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Foto Jornalista Bruno de OliveiraFoto Jornalista Caio Bednarski

Por Bruno de Oliveira

e Caio Bednarski

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19/02/2020

São Paulo – O futuro da Ford, no Brasil, está em Camaçari, BA. Na América do Sul há ainda a operação de Pacheco, na Argentina. A fila andou, como se diz, mas ainda são poucas as informações a respeito de como será configurada a oferta de produtos fabricados nos dois países a partir do encerramento das operações em São Bernardo do Campo, SP.

 

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O que se espera, no entanto, é que as subsidiárias da montadora sediada em Dearborn, MI, sigam aquilo estabelecido no planejamento global da companhia, que não é outra coisa senão focar os esforços comerciais e de desenvolvimento em negócios que tenham rentabilidade, e encerrar as atividades naqueles considerados pouco atraentes, como foi o caso da Ford Taboão.

 

Segundo Fernando Trujillo, consultor da IHS Markit, as perspectivas para os próximos anos apontam para um novo SUV produzido na região: o Ford Territory, que, a princípio será importado da China: “Este modelo deverá começar a ser produzido em 2022, e haverá um outro, maior, também entrando na linha de Camaçari no ano seguinte, em 2023”.

 

Em Pacheco a Ford seguirá com a produção da picape Ranger e, segundo a IHS, também a da nova geração da Volkswagen Amarok, fruto de parceria estabelecida pelas empresas na área de veículos comerciais.

 

O foco nos negócios rentáveis deverá tirar das linhas o Ford Ka, que é produzido em Camaçari nas versões hatch e sedã. O prognóstico da consultoria aponta para 2022 como data limite da sua produção e consequente saída do mercado.

 

“O compacto é um veículo que garante volume à montadora, mas não entrega rentabilidade, que é aquilo que a empresa busca no mundo para poder se preparar financeiramente para a produção de veículos elétricos.”

 

No ano passado o Ford Ka na versão hatch ocupou a posição de segundo veículo mais vendido no mercado brasileiro: segundo dados da Fenabrave foram 104,3 mil unidades licenciadas. Quando somadas também as vendas da versão sedã o volume sobe para 155,5 mil.

 

Na Argentina, para onde o modelo é exportado, foram vendidas 16,6 mil unidades em 2020 segundo dados da Acara, a associação das concessionárias argentinas.

 

No fim do ano passado o presidente da companhia para a América do Sul, Lyle Watters, disse que a empresa trabalha para tornar viável a aplicação de um novo ciclo de investimentos que garantirá a fabricação de uma nova família de produtos, mas que, antes, é preciso solucionar alguns entraves:

 

“Temos grandes desafios de custos por aqui. Precisamos fazer uma reestruturação de custos de mão de obra. Na área de engenharia há a questão logística e a necessidade de aumentar a produtividade da unidade. Trabalharemos em conjunto com fornecedores e funcionários para que isto aconteça. O lado bom é que, se conseguirmos fazer estas melhorias em Camaçari, vejo um futuro brilhante para a planta”.

 

Junto com os modelos fabricados na Bahia e em em Pacheco a empresa também comercializa Edge ST, Fusion e Mustang, todos importados.

 

Foto: Divulgação.