Há um ano a Ford anunciava o fim da produção no ABC

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Foto Jornalista  André Barros

Por André Barros

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19/02/2020

São Paulo – Há um ano mais de 2 mil trabalhadores do chão de fábrica da Ford do bairro do Taboão, em São Bernardo do Campo, SP, esperam por um final feliz. A companhia anunciou em 19 de fevereiro de 2019 que deixaria de produzir o Fiesta e os caminhões da linha Cargo e Série F naquela unidade, encerrando, também, sua operação de veículos comerciais pesados na América Latina. 

 

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A notícia, embora não completamente inesperada, pegou muita gente de surpresa – especialmente da cadeia fornecedora, que trabalhava em ritmo normal para suprir a produção daquela unidade. As linhas do Taboão operaram ainda por mais oito meses, até que em 29 de outubro foi montado, ali, o último caminhão Ford.

 

Neste interim muitas promessas foram anunciadas e descumpridas – nenhuma, ressaltemos, da Ford, que manteve sua postura desde o início: fecharia a fábrica e assim o fez. Quem assumiu o protagonismo, no caso, foi o governador do Estado de São Paulo, João Doria, que dias após o anúncio do fim das operações comprometeu-se a achar um comprador para a unidade.

 

E anunciou: há uma fábrica à venda no bairro do Taboão.

 

Logo o empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade, fundador do Grupo Caoa, candidatou-se. Deu início a uma longa negociação, chegou a sentar com o sindicato para discutir eventuais salários, bateu na porta do governo federal em busca de financiamento e, por fim, jogou a toalha.

 

Não sem antes atender a um chamado de Doria, que anunciou que Caoa e Ford estavam em processo de due dilligence e resolveriam toda a questão em trinta a 45 dias. Há cinco meses.

 

Outra que assumiu ter interesse foi a Foton, por meio de sua matriz. Os representantes brasileiros, porém, logo demoveram os executivos chineses da ideia e mantiveram os planos de erguer uma fábrica no Rio Grande do Sul – no terreno, aliás, escolhido pela Ford para construir sua unidade gaúcha que nunca saiu do papel por ali, mas em Camaçari, na Bahia, alguns quilômetros ao Norte.

 

Da última vez que foi questionado pela imprensa sobre o assunto o governador saiu pela tangente: disse que a negociação saiu da esfera do governo e passou de empresa privada para empresa privada. Em outras palavras, “fiz a minha parte, agora eles que se acertem”.

 

A expectativa de um final feliz por parte dos trabalhadores, porém, não se resume a promessas governador. Ainda há gente interessada e negociando: a chinesa BYD é uma delas. E o próprio presidente da Ford, Lyle Watters, mantém discurso otimista.

 

Restam poucos dias para que o imóvel do Taboão seja completamente desabitado. As equipes de marketing, vendas e comunicação, além da presidência, estão se mudando para um prédio na Vila Olímpia, na Capital São Paulo, em março.

 

Um ano depois, ainda há incertezas. Mas segue a esperança de que aquele quase septuagenário terreno industrial mantenha sua vocação automotiva. Nesta série de reportagens especial da Agência AutoData, conversamos com trabalhadores, governo e fomos atrás de informações divulgadas pela própria Ford para entender o cenário futuro da companhia e do terreno de São Bernardo do Campo.

 

Foto: Divulgação.