Disparada do dólar eleva os custos da indústria automotiva

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Foto Jornalista  André Barros

Por André Barros

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09/03/2020

São Paulo – A queda de braço do governo russo com o saudita sacudiu o mercado financeiro na segunda-feira, 9, derrubando bolsas na Ásia, Europa e Américas e fazendo o dólar, que já vinha ganhando valor sobre o real, disparar. Assim, aumentam os custos das fabricantes de veículos: segundo o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, apenas a valorização cambial de janeiro até a manhã de sexta-feira, 6 – em torno de R$ 0,60 –, custou à indústria em torno de R$ 8 bilhões somente com as importações, de US$ 13 bilhões no período.

 

Pois a decisão dos produtores de petróleo de manter o ritmo de produção mesmo diante da menor demanda gerada pelo coronavírus jogou o preço dos barris para baixo e atormentou os investidores. A cotação do dólar no Brasil, que segundo Moraes já vinha sendo afetada pela epidemia global e pelas declarações do governo brasileiro, subiu mais 2%, para R$ 4,72, ampliando a valorização anual para cerca de 70 centavos.

 

Para Moraes, defensor do câmbio flutuante, o Banco Central tem mecanismos para administrar essa volatilidade. O presidente da Anfavea pediu na sexta-feira, 6, também, menos instabilidade política a Brasília: “Qualquer barulho político afeta a economia, começa a gerar impacto nos índices de confiança. Crescemos muito pouco no ano passado, o Brasil precisa crescer mais”.

 

Segundo o presidente da Anfavea a desvalorização do real elevou em R$ 2,6 mil o custo de cada veículos produzido no Brasil, em média.

 

Bolsas – Os principais índices das bolsas asiáticas caíram de 3% a 7%, os europeus fecharam na casa dos 8% de baixa e em cerca de meia hora de pregão foi acionado o circuit breaker na B3, a bolsa paulistana. O mecanismo é acionado quando a queda supera os 10% e interrompe provisoriamente os negócios.

 

Após meia hora a bolsa voltou a operar e fechou em queda de 12%.

 

Foto: Jorge Araújo/Fotos Pùblicas.