Autopeças precisam mais do Governo Federal

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Foto Jornalista  Bruno de Oliveira

Por Bruno de Oliveira

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23/03/2020

São Paulo – Com as montadoras anunciando paradas na produção, as empresas fabricantes de autopeças que pertencem à cadeia de fornecedores ligaram o sinal de alerta: não bastasse o ano ter iniciado com queda de quase 7% na receita, agora é o avanço do coronavírus que aparece no horizonte do setor como mais um entrave.

 

Com a paralisação das linhas é certo que a demanda por componentes cairá. O que é incerto, e paira sobre o setor como importante interrogação, diz respeito às formas que as empresas dispõem para suportar as vendas menores projetadas. “Não é possível, neste momento, fazer estimativas quanto aos efeitos no setor nem na economia geral”, disse à Agência AutoData o presidente do Sindipeças, Dan Ioschpe.

 

Para ele, ainda assim, é preciso acompanhar as movimentações da indústria em tempos de Covid-19. Enquanto o quadro é de estagnação, o setor avalia como importantes as medidas de socorro a economia anunciadas pelo governo federal. Porém, segundo Ioschpe, “outras, provavelmente, serão necessárias”.

 

Na semana passada o Ministério da Economia anunciou série de ações que, em tese, podem dar fôlego financeiro às empresas, como o adiamento do pagamento de dívidas junto a bancos estatais e privados. O Banco Central ainda reduziu, mais uma vez, a taxa básica de juros, a Selic

 

A Zen, que mantém fábrica em Brusque, SC, é uma das empresas que foram em busca de recursos no mercado para enfrentar o período de baixa demanda. Segundo Gilberto Heinzelmann, seu presidente, o panorama nos bancos, ao contrário do que as medidas governamentais indicavam, é de juros crescentes:

 

“Fizemos contato com quatro bancos e não tivemos nenhuma resposta clara de nenhum deles a respeito de como operar as linhas de crédito do BNDES. Precisamos de uma agilidade maior e não estamos sentindo isso. Estão na contramão da Selic com proposição de juros bem acima aos que estavam sendo oferecidos antes da crise”.

 

A empresa tem paralisação da produção programada para quarta-feira, 25, e se vê em meio ao cancelamento de pedidos no mercado de reposição, responsável por 70% do seu faturamento anual, e às incertezas no segmento OEM: “As fabricantes de veículos anunciaram parada na produção e o que nos dá insegurança é não ter a certeza se voltarão a operar no prazo estipulado ou se haverá prorrogação”.

 

A projeção é a de que a receita, nem março, caia cerca de 40%. Para Heinzelmann as propostas do Ministério da Economia são importantes, devem ajudar, mas são consideradas insuficientes:

 

“O volume de recursos destinado à indústria brasileira [R$ 5 bilhões] é muito pequeno perante o número de empresa. Outro ponto: é preciso retomar as discussões em torno da desoneração da folha, mas não de forma emergencial e, sim, de forma definitiva”.

 

Enquanto algumas empresas produtoras de autopeças analisam possíveis reflexos gerados pela crise do coronavírus – como é o caso da Meritor que, inclusive, avalia manter, ou não, investimento de R$ 200 milhões em nova fábrica em Roseira, SP – outras empresas seguem anunciando interrupção da produção de peças e componentes.

 

A Denso suspenderá temporariamente suas atividades a partir da terça-feira, 24. A paralisação seguirá, a princípio, até 6 de abril. A Pirelli, por meio de comunicado, anunciou parada “em vista a emergência relativa ao Covid-19 e à significativa queda da demanda do setor automotivo” nas fábricas instaladas no Brasil e na Argentina.

 

A Schaeffler interrompeu a produção em Sorocaba, SP, na segunda-feira, 23, e tem retorno previsto para 13 de abril. A Bosch concederá férias coletivas a partir de 30 de março, e o retorno às atividades será a partir de 20 de abril, “dependendo do desenvolvimento do tema no País”.

 

Foto: Divulgação.