Produção recua em março e deverá ser ainda menor em abril

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Foto Jornalista  André Barros

Por André Barros

CompartilheBalanço da Anfavea
06/04/2020

São Paulo – Na segunda-feira, 6, nenhuma linha de produção de automóvel, comercial leve, caminhão ou chassi de ônibus operou no Brasil. Para ajudar a conter a pandemia da covid-19 as empresas fabricantes optaram por suspender as atividades do chão de fábrica e instituir trabalho remoto nas funções administrativas. Diante deste cenário o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, espera para abril um resultado ainda pior do que o de março. 

 

É possível que tenhamos, em abril, o pior mês em volume de produção dos últimos anos. De acordo com a Anfavea o menor volume produzido em um mês nos últimos anos foi registrado, coincidentemente, em um mês de abril, mas de 1990. Naquele mês saíram das linhas de montagem pouco mais de 29 mil veículos.

 

“O impacto maior na produção será em abril”, afirmou Moraes em vídeo gravado para divulgar os resultados do primeiro trimestre e transmitido à imprensa na segunda-feira, 6. “Quase todas as fábricas estarão paradas durante o mês”.

 

Em março saíram das linhas de montagem 190 mil veículos, recuo de 21,1% na comparação com o mesmo mês do ano passado e de 7% com relação a fevereiro: “No mês passado falávamos do risco de interrupção na produção por falta de componentes, em especial aqueles importados da China. Mas a parada ocorreu por causa da própria covid-19”.

 

O saldo acumulado do trimestre fechou negativo em 16%, com 585,9 mil unidades produzidas – ou 112 mil unidades a menos. Além de vendas menores no Brasil as exportações jogam contra a indústria nacional, que nos primeiros dois meses já havia perdido volume de produção devido à menor quantidade de unidades embarcadas.

 

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Os empregos foram pouco afetados: de fevereiro para março houve corte de cerca de trezentos trabalhadores, dentro do normal esperado pelo presidente da Anfavea – apesar da redução de 4,3 mil funcionários de março de 2019 para o mês passado, parte justificada pelo fechamento da fábrica da Ford em São Bernardo do Campo, SP, no período.

 

Oficialmente nenhuma empresa fala, ainda, em demissão. Mas algumas já iniciaram negociações com sindicatos para flexibilizar a mão de obra, lançando mão de ferramentas como lay off. Moraes disse não ser possível, ainda, estimar uma data para o retorno da produção: “A preocupação dos executivos das montadoras, neste momento, é com a saúde”.

 

Foto: Divulgação.