Sem poder produzir respiradores, cadeia automotiva dá suporte a fabricantes

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Foto Jornalista Caio Bednarski

Por Caio Bednarski

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16/04/2020

São Paulo – Sem condições de produzir, em suas fábricas, aparelhos de respiração assistida para ajudar pacientes de UTI no combate à covid-19, a indústria automotiva colabora como pode, especialmente no suporte às fabricantes do equipamento. A expertise de montadoras e fornecedores de autopeças em logística, interna e externa, e no mapeamento de fornecedores locais e internacionais tem sido importante para elevar a produção, aqui, dos respiradores, um equipamento altamente demandado em todo o mundo.

 

O governo paulista chegou a consultar se as montadoras poderiam produzir aparelhos do zero. Mas sem condições técnicas e com questões jurídicas e fiscais atravancando, a maneira de auxilio encontrada – ainda antes da solicitação do governador João Doria – foi indireta, porém eficaz.

 

A Mercedes-Benz vem oferecendo todo o tipo de ajuda possível à KTK, uma das fabricantes locais destes aparelhos. Segundo a empresa recursos para produção, reativação de linhas paradas e melhorias nos processos produtivos compõem o leque de auxílio à empresa, que recebeu em sua fábrica, em São Paulo, engenheiros da montadora para mostrar, na prática, como melhorar processos e ter ganho de produtividade, ajudando a elevar a capacidade de produção.

 

A cadeia de fornecedores entrou na jogada: segundo apurou a Agência AutoData uma empresa do tier 2 recebeu pedidos da KTK e voltou a produzir, desta vez para atender a KTK, seguindo as normas de saúde. Todo o mapeamento foi feito em parceria com a M-B.

 

“É algo positivo”, diz uma fonte que preferiu não se identificar e nem revelar o nome da empresa. “Não recebemos pedidos, por causa da crise, e estávamos parados. Agora temos uma encomenda para ajudar na fabricação de 1 mil respiradores.”

 

Outro fornecedor que começará a enviar componentes para os aparelhos foi a Bosch: a empresa está aguardando os trâmites burocráticos para iniciar a montagem de sete subconjuntos com cerca de cem peças na fábrica de Campinas, SP, que serão encaminhados a uma fabricante nacional de respiradores.

 

A FCA também colocou sua equipe à disposição da indústria de ventiladores pulmonares. Segundo João Irineu Medeiros, diretor de assuntos regulatórios para a América Latina – e coordenador de um grupo multidisciplinar criado pela companhia para ajudar no combate à covid-19 – estes aparelhos são os mais críticos e requisitados itens hospitalares demandados em todo o planeta.

 

Na semana passada a Magnamed, outra fabricante brasileira destes respiradores, fez acordo com o Ministério da Saúde para entregar 6,5 mil aparelhos até agosto – e a FCA foi uma das empresas que atuou para auxiliar neste incremento de produção. Segundo Armando Carvalho, diretor adjunto de desenvolvimento de negócios da FCA para a América Latina, as equipes de compras e desenvolvimento de produto entraram no projeto:

 

“Ajudamos a entender as dificuldades, propondo soluções e acionando nossos fornecedores locais, fornecedores no Exterior e  parceiros na busca da melhor solução e dentro dos prazos apertados. Apresentamos propostas para adaptar peças, usamos nossa equipe de engenharia para avaliar alternativas e ajudamos na organização de peças críticas e em priorizações”.

 

Estima-se que a capacidade de produção da Magnamed possa crescer até dez vezes com esse suporte. Além da FCA participaram Positivo Tecnologia, Suzano, Klabin, Flex e Embraer e White Martins.

 

Foto: Divulgação.