Abril tem a menor produção de veículos em 60 anos

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Foto Jornalista  André Barros

Por André Barros

CompartilheBalanço da Anfavea
08/05/2020

São Paulo – Com 57 fábricas fechadas e cerca de 95 mil trabalhadores em casa, a indústria automotiva produziu em abril apenas 1 mil 847 veículos. Foi, segundo a Anfavea, o volume mais baixo desde fevereiro 1957, quando operavam no Brasil apenas DKW-Vemag, Ford, General Motors, Mercedes-Benz, Scania e Volkswagen, que produziram 2 mil 144 unidades. O resultado representa queda de 99,4% com relação a abril do ano passado e de 99% na comparação com março, quando a pandemia ainda não havia comprometido a produção – embora algum reflexo tenha sido sentido.

 

No acumulado do ano o volume caiu 39,1% com relação ao primeiro quadrimestre de 2019, somando 587,7 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e chassis de ônibus produzidos. A indústria nacional deixou de produzir mais de 380 mil veículos na comparação dos períodos.

 

Em abril saíram das linhas de montagem 1 mil 48 veículos leves, 403 caminhões e 396 chassis de ônibus.

 

 

 

Ainda que, ignorando a ciência, o governo federal pressione estados e municípios para o fim do isolamento, o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, ressaltou em entrevista coletiva on-line que a saúde é prioridade e que as associadas seguirão “100% as recomendações das secretarias de saúde e da OMS”.

 

Muitas fabricantes estão retornando ao trabalho – em diversos estados as atividades industriais estão liberadas: as montadoras fecharam suas fábricas por decisão própria. Um conjunto de 34 protocolos para voltar a produzir de forma a evitar a contaminação pelo novo coronavírus foi reunido pela Anfavea e publicado em seu site, para que sejam seguidos, também, por fornecedores e concessionários.

 

Em paralelo, os executivos do setor seguem negociando com o governo medidas para ajudar a resgatar a liquidez com as empresas. Uma proposta foi colocada na mesa do ministério da Economia, sugerindo garantias aos bancos para os empréstimos, mas as negociações ainda não tiveram um desfecho.

 

“Não queremos juros subsidiados ou usar dinheiro público. Nós pedimos um spread aceitável para o momento atual”, disse o presidente, lembrando que as taxas de juros do sistema financeiro seguem subindo, apesar da redução na taxa básica Selic. “Os bancos estão com percepção de aumento de risco, por isso crescem os custos dos financiamentos”.

 

Moraes também criticou o governo federal. Segundo o presidente da Anfavea uma parte da valorização cambial é de responsabilidade da condução política. “É crise de manhã, crise à tarde, crise no ministério da Saúde, crise na Cultura, no Judiciário, no Legislativo. A desvalorização exagerada do real não é econômica, é política. As agendas do governo estão atrapalhando a economia”.

 

O dólar, lembra Moraes, estava na casa dos R$ 4 no começo do ano e está batendo nos R$ 6 nos últimos dias. Como boa parte dos componentes usados nos veículos é importada, acaba refletindo nos custos da indústria – a consequência é a necessidade de reajustar os preços dos veículos, mesmo em cenário de demanda reprimida.

 

Foto: Divulgação.