São Paulo — A pandemia impôs modificações na estrutura logística das empresas do setor automotivo brasilerio, não apenas pelo escoamento de veículos e componentes mais restrito por causa das medidas sanitárias mas, também, em função da racionalização de peças e matérias-primas. Levantamento da DHL listou as principais modificações e sugere um novo cenário com forte aplicação da conectividade nos processos logísticos.
Um dos tópicos do estudo analítico desenvolvido pela companhia é o redesenho da rede. Maurício Almeida, diretor de operações do setor automotivo, contou que a malha proposta pelo estudo tem como objetivo aproveitar melhor a capacidade de carga dos veículos comerciais em um único trecho: "Faltam aos gestores das montadores um pacote de informação mais completo a partir do qual possam tomar as melhores decisões".
O conceito sugerido pelo documento mescla os melhores trajetos à maior geração de dados. Na prática, o acompanhamento da carga via internet gera informações por meio das quais o departamento de logística da montadora, ou da sistemista, pode definir com mais precisão as rotas que um caminhão ou furgão devem seguir de forma a economizar recursos. Sem a conexão frota-empresa, segundo Almeida, cai o nível de precisão.
Um eventual movimento de nacionalização de componentes, reflexo da valorização do dólar ante o real, é apontado pelo executivo como um momento chave para que as empresas repensem seus modelos logísticos: "Estamos diante de um cenário possível de múltiplos fornecedores de um mesmo componente. É preciso um maior nível de gestão para controlar este fluxo de materiais de forma rápida. Se um fornecedor perde capacidade de atendimento, a logística precisa dar uma resposta rápida para que haja o transporte a partir de um fornecedor alternativo".
O mercado de reposição aquecido também é outro fator apontado como vetor de mudanças no supply chain. "A cadeia de suprimentos da indústria se caracteriza por ser bastante longa, complexa e com elevado nível de terceirização. Entretanto, neste segmento do pós-venda automotivo, ainda predominam operações com baixo nível de integração, o que bloqueia a captura de potenciais ganhos com sinergia, escala, eficiência e especialização que emergem em uma abordagem colaborativa."
Neste modelo, seguiu Almeida, um operador logístico poderia gerenciar múltiplos fluxos de forma inteligente para a rede de distribuição de peças de reposição de várias montadoras, com o objetivo de aumentar a frequência e reduzir os lead times das entregas em todas as praças: "A utilização compartilhada de veículos especiais também impacta positivamente em menor tempo de descarga nos destinos e na redução de avarias, algo muito significativo neste segmento".
No Brasil, apontou o levantamento da empresa, em 22 capitais 70% dos distribuidores estão em um raio de até 4 quilômetros. O quadro, segundo conclusão da DHL, propicia com que volumes bem combinados sejam suficientes para realizar entregas diárias sem que o custo seja alto e ao mesmo tempo otimizando emissões de CO² pelos ganhos de ocupação dos veículos.
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