São Paulo – Fabricantes de implementos rodoviários estão interessadas em avançar para formato de negociação de compra de pneus semelhantes ao das montadoras, de longo prazo e maior previsibilidade. Anip e Anfir, entidades que representam as fabricantes de pneus e implementos, reuniram-se recentemente para discutir melhorias nas relações, abaladas este ano por falta de pneus para o setor de reboques e carrocerias.
Klaus Curt Müller, presidente executivo da Anip, disse em entrevista por teleconferência a jornalistas que o setor de implementos nunca demonstrou interesse em ser o que ele chama de “contratante original”. “Mas o cenário mudou: recebemos uma lista de empresas que querem avançar. Fica um compromisso dos dois lados: nós temos que entregar os pneus e eles têm que receber".
Dessa forma o contrato das fabricantes de implementos torna-se igual ao das montadoras nas questões das cláusulas, mas com volumes menores. Saem do formato de pedidos com pequeno prazo de entrega e que, algumas vezes, não são atendidos por falta de produto.
A decisão ocorreu após a Anfir sinalizar uma demanda de 400 mil pneus até dezembro e de 800 mil em 2022. Agora começam as negociações bilaterais, de fabricante para fabricante, na qual as entidades não se envolvem.
Müller disse que até que os negócios sejam fechados as associadas seguirão trabalhando para atender todas as demandas da melhor forma possível. Quando não for possível, as fabricantes de implementos deverão importar os volumes adicionais de pneus, cenário que já acontece atualmente: "Estamos trazendo os tapetes de borracha, peças enormes, de avião para conseguir atender todos os pedidos, algo que nunca fizemos antes".
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