São Paulo – O novo normal chegou e é até mais forte do que o ritmo anterior à pandemia na thyssenkrupp Metalúrgica Campo Limpo, em Campo Limpo Paulista, SP. A primeira fábrica do grupo fora da Europa completa 60 anos em 2021 a todo o vapor, com produção acelerada e estudos de novos investimentos para suportar uma demanda que, segundo José Carlos Cappuccelli, o CEO da divisão de forjaria para a América do Sul e dirigente da unidade paulista, será ainda maior no ano que vem.
“A demanda deverá ser muito aquecida por causa da antecipação de compra gerada pela mudança para o Euro 6 em 2023”, disse o executivo à Agência AutoData. “No mínimo o mesmo volume deste ano, que já está cerca de 5% a 8% superior ao de 2019.”
Em Campo Limpo Paulista a thyssenkrupp possui linhas de forjaria e produz virabrequins, bielas, pistões, componentes para chassis e outras peças forjadas para a indústria automotiva. Tem as principais fabricantes de motores como clientes, incluindo montadoras como Mercedes-Benz, Scania e Volvo. Lá a produção caiu por apenas três meses em 2020, segundo Cappuccelli, no período mais agudo da quarentena no País. Na época, além de utilizar recursos como redução de jornada e salários, a direção decidiu desligar seiscentos trabalhadores.
“Fizemos acordo com o sindicato: os demitidos seriam prioridade em uma eventual retomada. Muito deles foram recontratados antes mesmo de receber toda a indenização. Hoje empregamos 2,3 mil pessoas, cem a mais do que no pré-pandemia.”
A demanda voltou com tudo, tanto doméstica como para exportação: a thyssenkrupp exporta cerca de 50% da produção de Campo Limpo Paulista. A produção destinada à linha leve está mais devagar, segundo o CEO, por causa da questão dos semicondutores. Mas, na linha pesada, há pressão forte dos clientes.
“Como há mais demanda do que oferta, as montadoras buscam atender a qualquer oportunidade de vendas. A programação deles, portanto, está lá em cima. Conseguimos por enquanto atender a todos os pedidos, trabalhando 24 horas por dia, sete dias por semana.”
A grande dificuldade da thyssenkrupp Metalúrgica Campo Limpo está nas matérias-primas. Forte consumidora de aço, tem encontrado dificuldades para comprar o produto, o que já provocou paradas em algumas prensas. Segundo Cappuccelli há compra de aço importado também, mas ainda assim os estoques estão em níveis baixos: “Basicamente o aço sai da aciaria para a fábrica”.
O CEO não vislumbra perspectiva de mudanças no cenário ao menos até o fim do ano e projeta um 2022 muito forte. Queda, talvez, só em 2023, mas por causa da possível antecipação de compra do Euro 6 no ano que vem – que pode nem ser tão forte pela possível falta de capacidade da indústria, envolta em dificuldades de encontrar matérias-primas e componentes eletrônicos. Por isso, ele diz, já estão na mesa estudos para investimento e ampliação da capacidade da fábrica. E que deverão chegar logo.
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