GM abriu seu campo de provas para mostrar como está a reta final de desenvolvimento da sua nova picape
Indaiatuba, SP – Mesmo com a convicção de que, muito em breve, a mobilidade se dará com produtos 100% elétricos a General Motors segue firme e forte com o seu cronograma de fabricar veículos a combustão interna no Brasil. Como parte do investimento de R$ 10 bilhões até 2025 nas fábricas paulistas a nova picape Montana está em fase final de desenvolvimento e chegará ao mercado nos primeiros meses de 2023.
Ela será produzida na unidade de São Caetano do Sul, SP, que já passou por grande transformação em quase todas as etapas de fabricação para receber a picape e outros modelos, sinal de que, ao menos durante o seu primeiro ciclo produtivo, não há a intenção de a GM abandonar de vez a produção nacional de veículos a combustão interna.
Além disso o investimento no Brasil também trouxe muito mais tecnologia para o desenvolvimento de produtos, como os supercomputadores e softwares de inteligência artificial utilizados para reduzir o tempo para “criar veículos disruptivos com o amplo uso de ferramentas avançadas de engenharia”, de acordo com o Rodrigo Fiocco, diretor de marketing de produto para a América do Sul.
Nos laboratórios do Campo de Provas da Cruz Alta, em Indaiatuba, SP, a reportagem da Agência AutoData foi apresentada ao que se conhece como desenvolvimento virtual, responsável por projetar componentes, realizar milhares de simulações e, também, criar as primeiras imagens do produto. Esta é a etapa mais detalhada do desenvolvimento no qual a estrutura, a aerodinâmica, o desempenho térmico e a própria dinâmica veicular são submetidos a milhares de testes de validação virtual.
“O desenvolvimento virtual permite reduzir o tempo de gestação de um veículo quase pela metade, agregando ainda ganhos de qualidade, segurança e eficiência”, contou Suzimara Ducatti, especialista em simulações virtuais da GM América do Sul. “Mesmo antes de produzir os primeiros protótipos físicos do veículo já simulamos mais de 15 milhões de quilômetros rodados e mais de 15 mil testes multidisciplinares com o auxílio desses supercomputadores.”
Mas a fase virtual já está no passado. Neste momento a GM utiliza muitos protótipos da Montana em testes finais de validação real nos dezessete diferentes tipos de pistas do campo de provas. A vantagem de possuir uma estrutura como a de Cruz Alta é que, segundo a GM, em seis meses são feitas simulações de desgastes de um automóvel reproduzindo sua utilização em quinze anos, ou 240 mil quilômetros, em condições normais de uso.
Após as apresentações dessas etapas anteriores à criação da Montana nos foi permitido um breve contato com um protótipo camuflado. Individualmente cada jornalista foi levado a uma sala e pode olhar com atenção o modelo real, mas sem ter acesso ao interior da cabine.
É notório que a carroceria da picape cresceu na comparação com a geração anterior. Comprimento e altura com relação ao solo estão muito mais próximos das suas novas principais rivais, a Renault Oroch e a Fiat Toro. Ainda não foi possível descobrir se a Montara terá uma aparência mais off road, como algumas versões da Toro, ou mais urbana, como é a proposta da Oroch.
A camuflagem pesada escondia toda a lateral, a tampa traseira e a grade: só não cobria, apenas, uma pequena parte das lentes dianteira e traseira. Mesmo assim foi possível perceber que haverá faróis duplos, numa clara reprodução da solução criada pela rival Fiat.
A Montana possivelmente utilizará o mesmo motor 1.2 de 133 cv do SUV Tracker. A GM diz que o aproveitamento do espaço interno será o melhor desta categoria de picapes. E a caçamba, também toda coberta no protótipo com o qual tivemos contato, igualmente surpreenderá o segmento sendo a de maior capacidade.
Por enquanto não é possível especular muita coisa. Mas a expectativa é que em 2023 a GM volte a brigar por participação relevante neste segmento de picapes intermediárias.