Oscilações na Argentina não seguraram crescimento dos embarques
São Paulo – As vendas de veículos a outros países, de janeiro a agosto, superaram o acumulado de 2019. Nos primeiros oito meses do ano foram embarcados 335 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, 32,2% a mais do que no mesmo período do ano passado, 253 mil unidades. Em igual período de 2019, anterior ao coronavírus, portanto, 306 mil veículos haviam sido exportados.
Os dados foram apresentados durante entrevista coletiva de imprensa da Anfavea na sexta-feira, 9. Segundo o presidente Márcio de Lima Leite, além de superar o desempenho no período pré-pandemia, o comércio exterior vem sinalizando tendência de continuidade de crescimento:
“O ano de 2022 tem sido surpreendente com relação às exportações. Embora produção e vendas também estejam crescendo, ainda não superaram o período pré-pandemia”.
Contribuiu para o desempenho o fato de, pela primeira vez no ano, não haver fábricas paradas no País por causa da falta de semicondutores, o que reflete tendência de normalização dos abastecimentos, assinalou Lima, diante do arrefecimento da demanda global por chips da parte de concorrentes das fabricantes de veículos, como os smartphones, e da melhora na produção dos componentes.
Em agosto foram exportados 46,8 mil veículos, mesmo volume registrado em junho, o que representa alta de 11,7% com relação a julho, quando houve redução de aproximadamente 5 mil unidades frente a junho. Em comparação a agosto de 2021, entretanto, quando foram embarcadas 29,4 mil unidades, o aumento chegou a 58,9%.
“Julho, mesmo com a redução, já havia sido considerado bom. Agora, em agosto de 2021, vivíamos momento de grave crise de ausência de semicondutores. De forma geral tem sido um crescimento importante.”
Segundo Leite o recuo em julho foi provocado pela Argentina, que apresentou redução de quase 10 mil unidades no volume total de compras: “Agora em agosto houve crescimento das encomendas do país, que continua com oscilações, mas segue desempenhando bem”.
Isto mesmo com a situação delicada de sua economia, referente à restrição ao uso de dólares para remunerar a compra de produtos importados, imposta desde julho, e com a liberação das cotas de exportação, pontuou o dirigente.
Em valores – De janeiro a agosto o comércio exterior rendeu às montadoras US$ 6,8 bilhões, quase 40% a mais do que no mesmo período em 2021. O valor supera em US$ 2 bilhões o total faturado nos primeiros oito meses de 2019.
Só no mês passado as operações faturaram US$ 1 bilhão e 44 milhões, valor 15,5% superior à obtida em julho, de US$ 904 milhões, e 51,5% maior do que a registrada em agosto do ano passado, US$ 689 milhões.