Fábrica de Araquari começa a montar o SUV com 40% de nacionalização
Araquari, SC – O Grupo BMW finalizou o investimento de R$ 500 milhões na fábrica de Araquari, SC, com o início de produção do SUV X1, oficialmente inaugurada nesta segunda-feira, 17, em cerimônia com executivos da empresa, empregados e autoridades.
Para Maru Escobedo, que no início deste ano assumiu a presidência da empresa no Brasil, com mais um carro nacional em linha o volume de produção em Araquari deverá crescer: “Há quatro anos lideramos as vendas de automóveis premium no País e o novo X1, totalmente renovado com mais tecnologia e potência, é um importante reforço para nossa linha de produtos”.
A nova geração do X1 foi lançada há seis meses na Europa e com sua chegada a fábrica instalada em Santa Catarina, que já monta as mais recentes versões do sedã Série 3 e dos SUVs X3 e X4, agora tem uma linha completa de produtos nacionais atualizados, que respondem por mais da metade dos veículos vendidos pelo grupo no mercado brasileiro.
Inaugurada em 2014 a fábrica brasileira da BMW já recebeu R$ 1,8 bilhão em investimentos e atualmente o empreendimento representa 40% do recolhimento de ICMS do município de Araquari. “Somos o maior produtor de veículos premium da América do Sul”, destacou Otávio Rodacoswiski, diretor geral da planta.
A BMW é a única das fabricantes de automóveis premium – daquelas que instalaram operações industriais na onda dos benefícios do Inovar-Auto – com processos completos, incluindo soldagem de carrocerias, pintura e montagem final, com pouca automação e muito trabalho manual, devido ao baixo volume de produção.
“Agora precisamos aumentar as vendas e a produção aqui para decidir novos investimentos”, diz Maru Escobedo. Atualmente a fábrica tem seiscentos empregados que trabalham em dois turnos incompletos, produzindo perto de 10 mil unidades/ano, ou menos de um terço da capacidade de 35 mil/ano. A linha do X1 e Série 3 produz cerca de 36 carros por dia e são montados diariamente apenas de três a quatro X3 e X4 – estes dois têm bem menos nacionalização, pois chegam da BMW dos Estados Unidos semidesmontados, com carrocerias já soldadas e pintadas.
Dois fornecedores foram incorporados à fábrica com cerca de duzentos funcionários: a Magna Cosma faz a soldagem de partes estruturais estampadas das carrocerias do X1 e do Série 3 e a Benteler faz a montagem interna de motor, câmbio, eixos e sistema de freios. A BMW também compra localmente da Lear os bancos de seus dois modelos mais vendidos no País.
Sem planos para elétricos e híbridos
Araquari ainda não foi incluída nos planos globais de eletrificação do Grupo BMW, que até 2025 pretende ter, no mínimo, um carro elétrico em cada segmento em que atua. Como no Brasil os elétricos são isentos de imposto de importação e os híbridos pagam alíquota de 2% ou 4%, dependendo da eficiência energética, a montagem nacional desses carros não tem viabilidade econômica.
Mesmo sob a perspectiva de que o governo voltará a cobrar o imposto de importação desses modelos, de forma gradual, a partir do segundo semestre, Escobedo afirma que no momento não há planos para a montagem, em Araquari, de híbridos ou elétricos, que continuarão a ser importados: “Ainda não temos certeza sobre o que vai acontecer: não há nada de concreto. Precisamos de previsibilidade e mais apoio para veículos eletrificados nos Brasil”.
Gleide Souza, diretora de relações governamentais do grupo no Brasil, afirma que tudo depende dos próximos passos da política industrial do País: “Temos oportunidades aqui para fazer elétricos e híbridos, mas para aproveitá-las precisamos da previsibilidade da nova política do Rota 2030 [em discussão]”.