São Paulo – Como as montadoras há anos instaladas no Brasil, as duas novas fabricantes que recentemente anunciaram investimento em fábricas no País, BYD e GWM, pedem previsibilidade para que tomadas de decisões e planejamento possam ser feitos com melhores condições. O possível retorno do imposto de importação para os eletrificados, avaliam, pode afetar diretamente seus investimentos. O tema foi debatido no segundo dia do Seminário Brasil Elétrico + ESG, realizado por AutoData,
Segundo Marcello Schneider, diretor de relações governamentais da BYD, a empresa não é contrária ao retorno da taxação desde que haja previsão e planejamento: “Isto é necessário para trazer segurança para os investimentos que temos planejados para o Brasil. Um ponto que precisa ser levado em consideração é a capacidade atual que o País possui para produzir veículos eletrificados”.
Thiago Sugahara, diretor de ESG da GWM, lembrou que, atualmente, o Brasil possui um pequeno mercado de veículos eletrificados com relação aos emplacamentos totais. No ano passado correspondeu a cerca de 2,5% do total vendido: “Simplesmente retomar o imposto de importação atrasará o avanço de participação desses modelos”.
Ele gostaria que o Brasil avance nesta agenda de eletrificação antes de voltar com a tributação e ressaltou que o imposto zerado vale para todas as empresas, com oportunidades iguais.
Daniel Caramori, vice-presidente da ABVE, Associação Brasileira do Veículo Elétrico, lembrou de outro ponto importante: “O avanço da eletrificação no Brasil trará um novo mercado e uma nova economia, com geração de novos empregos e renda. Há espaço para todas as tecnologias conviverem durante um longo período”.
O ecossistema da eletrificação no Brasil começa a ganhar forma, de acordo com o número de associadas da ABVE, que era 42 empresas em 2022 e já triplicou de tamanho até outubro de 2023. O quadro é formado por montadoras de veículos como GM, Ford, GWM, BYD, Nissan, Porsche, fornecedores, empresas de micromobilidade e de infraestrutura.