São Paulo – A Volkswagen Caminhões e Ônibus começou a negociar o e-Volksbus durante a Lat.Bus Transpúblico 2024, realizada no São Paulo Expo de 6 a 8 de agosto. Enquanto negocia com futuros clientes acelera a produção para entregar pelo menos dez unidades a operadores de São Paulo até o fim do ano, segundo o vice-presidente de vendas e marketing da Volkswagen Ricardo Alouche.
O objetivo, de acordo com ele, é legitimar os predicados dos veículos antes que ele chegue ao mercado em geral: “Os testes já foram feitos. O objetivo agora é que estes veículos rodem nas mãos de clientes a fim de certificar que são bons e econômicos antes das entregas para o mercado em geral. Por se tratar de uma inovação nós preferimos entrar no mercado de maneira cautelosa: não por causa do produto mas, para junto do cliente, criarmos argumentos de vendas”.
Um diferencial no qual o executivo aposta para emplacar o modelo, cujo preço encarroçado gira em torno de R$ 3 milhões a R$ 3,2 milhões, está na sua autonomia. A licitação da cidade de São Paulo, por exemplo, determina que os ônibus elétricos ofereçam pelo menos 250 quilômetros de autonomia – a do e-Volksbus gira em torno de 250 quilômetros a 350 quilômetros, a depender da configuração de baterias, que pode ir de oito a doze pacotes.
O protótipo do veículo foi apresentado em maio de 2023 na fábrica de Resende, RJ, onde será fabricado. Embora compartilhe diversos componentes do caminhão e-Delivery, que possui em torno de 90% de índice de nacionalização, o e-Volksbus não terá, inicialmente, porcentual tão elevado, pois motor e baterias serão importados. O número não foi divulgado, por ora, mas segundo Alouche eixo, suspensão, transmissão, longarina, painel, chicotes e conectores, por exemplo, serão nacionais.
Renovação da frota, hoje com onze anos, é bala de prata
Segmento mais afetado durante a pandemia a produção de ônibus tem se recuperado mas ainda depende de fatores macroeconômicos para que possa retomar patamar de vendas de anos atrás. A projeção é que sejam emplacadas no mercado brasileiro 22 mil mil unidades em 2024 — há quinze anos o volume chegava a 30 mil.
Para o CEO da VW Caminhões e Ônibus, Roberto Cortes, o PIB é o que move o setor, que precisa voltar a crescer de forma mais pujante a fim de propiciar a redução da taxa de juros e ampliação da oferta de crédito. Outros pontos como novas licitações do programa Caminho da Escola, maior oferta de subsídios por parte do governo ao transporte público e incentivos para a retomada do turismo rodoviário são listados pelo executivo como cruciais.
A bala de prata, porém, que poderia impulsionar a produção de ônibus de forma imediata, é a instalação, de forma perene, de um programa de renovação de frota: “A legislação do segmento obriga a troca por modelos mais novos mas, mesmo assim, a idade média recentemente envelheceu quatro anos e, hoje, ultrapassa onze anos. Sem dúvida isso estimularia a troca de veículos Euro 5 por Euro 6”.
O executivo propôs, ainda, a extensão do Caminho da Escola para o segmento urbano, a exemplo do que ocorre nos Estados Unidos, em que há incentivo para as duas vertentes e não somente a rural: “Estamos conversando com o governo para verificar a viabilidade desta medida”.
A intenção esbarra, ao que tudo indica, na restrição da oferta de verba para esta finalidade.
Quanto às vendas da Volkswagen Caminhões e Ônibus a empresa está otimista. Segundo Alouche recentemente foram comercializados duzentos chassis do Volksbus, para diferentes clientes, nos últimos dias. Atualmente a fabricante possui participação de mercado de 27,4%.