São Paulo – Em paralelo às obras de adequação da fábrica de Iracemápolis, SP, que no ano que vem deverá começar a produzir os primeiros Haval H6 nacionais, a GWM prossegue com seu outro projeto prioritário no Brasil: o desenvolvimento de caminhões a hidrogênio. Por meio de sua subsidiária FTXT, que criou e fornece o sistema de propulsão na China, a companhia busca parcerias com universidades, institutos de pesquisa e montadoras a fim de tornar viável, por aquiu, a tecnologia combinada com etanol.
Na semana passada uma equipe da FTXT esteve no Brasil, onde conheceu projetos como o da Cidade Universitária, tocado pela USP, Universidade de São Paulo, e o CH2V, Centro de Hidrogênio Verde, da Unifei, Universidade Federal de Itajubá, MG. A visita deixou animada Bea Xiao, gerente de planejamento de produto e negócios internacionais da FTXT:
“Na USP estão fazendo um projeto muito bom, uma estação de recarga que poderemos adotar em nosso projeto de demonstração no futuro. Outro bom exemplo é o projeto da Unifei. O fato é que para começar precisamos de estações de recarga, é a chave para que os testes sejam feitos”.
Os primeiros caminhões com a tecnologia da FTXT deverão desembarcar aqui ainda este ano, com previsão de início dos testes no ano que vem. Os modelos ainda não foram definidos: segundo Xiao a ideia é mostrar a viabilidade e o custo em uma operação brasileira.
“O primeiro passo é fazer um projeto de demonstração do caminhão a hidrogênio. Desenharemos e definiremos a rotina, as condições de estradas, clima etc. Pensamos que é importante entender se o veículo pode ser aplicado ao mercado brasileiro. Depois avançamos em outras frentes”.
A infraestrutura, naturalmente, será um empecilho no Brasil, pois ainda é inexistente: Ricardo Bastos, diretor de relações institucionais e governamentais da GWM, lembrou que para elétricos a infrea-estrutura também inexistia no passado. E ressaltou que no âmbito do Mover existem oportunidades para expandir a infraestrutura e outros projetos de hidrogênio:
“Um dos projetos estruturantes do Mover trata do hidrogênio verde. Buscaremos parcerias para linhas de financiamento junto a instituições, mas o mais importante é iniciar os testes. E já está definido: iniciaremos nos próximos meses”.
Xiao disse que qualquer tipo de parceria está aberta e sinalizou oportunidade para montadoras locais: “Por quê não? Elas conhecem o Brasil muito bem”.
O País está na lista de prioridades da FTXT, que já está consolidada na China, onde mantém mais de quinhentos veículos em circulação. Lá o projeto começou há mais de vinte anos, dentro do planejamento dos chineses de reduzir as emissões de CO2 e buscar emissões mais limpas.
Bastos já apresentou o projeto a alguns governadores, como Tarcísio de Freitas, de São Paulo: “Foi uma demonstração de que existe, ao menos, o interesse por aqui. Após esta apresentação recebemos consultas de preço e de disponibilidade de empresas interessadas em descarbonizar sua frota. O projeto ainda está no início e já percebemos o enorme potencial”.