Anfavea e Fenabrave discutiram impostos, benefícios e os dilemas para que as metas de projeção do ano sejam mantidas
São Paulo — O bom desempenho das exportações alivia parte da preocupação da indústria automotiva com as altas taxas de juros. O tema foi debatido na abertura do Seminário AutoData Revisão das Perspectivas 2025, em São Paulo, por Gustavo Bonini, vice-presidente da Anfavea, e Arcélio Júnior, presidente da Fenabrave.
A previsão para o mercado de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus é de 2,8 milhões de unidades emplacadas em 2025. Mas existe a expectativa de que o crescimento no setor possa ser afetado pela taxa básica de juros, que subiu para 15% e mexe com as decisões de compra do consumidor. O ambiente econômico pode gerar impacto nas vendas no segundo semestre.
Gustavo Bonini. Fotos: Bruna Nishihata.
As exportações, por sua vez, deverão ultrapassar as 430 mil unidades, embora a produção ainda esteja abaixo das expectativas iniciais, com um crescimento projetado de aproximadamente 8%. Os importados, especialmente vindos da China, continuam a crescer, influenciando o mercado.
“Só a Argentina está crescendo, todos os mercados da América Latina continuam a receber produtos que não são produzidos no Brasil. É um ponto de atenção.”
Renovação de frota contínua
Bonini disse que a renovação de veículos comerciais deveria ser um programa perene. Há uma preocupação com a troca de caminhões antigos por novos, e a necessidade de desenvolver um financiamento específico para facilitar essa troca: “Temos 450 mil caminhões com mais de 25 anos. Há investimentos em caminhões e ônibus elétricos, biodiesel, biometano, gás, toda essa nova tecnologia de ponta, mas ainda temos uma frota envelhecida”.
O ideal seria uma renovação escalonada, que dure mais porque os resultados serão refletidos no médio e longo prazo.
Faturamento direto pode mudar com Reforma Tributária
Enquanto as exportações ajudam a incrementar produção as vendas diretas têm sido fundamentais para fomentar o mercado interno. Arcélio Júnior reforçou que o benefício fiscal do faturamento direto tem impacto importante nas vendas para locadoras, PCD e produtores rurais, pois reduz a carga tributária e incentiva a aquisição de veículos e bens.
Arcélio Júnior. Fotos: Bruna Nishihata.
O presidente da Fenabrave chamou a atenção para o termo “faturamento” e não “venda” direta: “É um termo que pode gerar confusão de interpretações, como situações em que o consumidor compra diretamente da montadora sem passar pelo concessionário. Essa confusão ocorre porque venda direta tem diferentes significados dependendo do contexto, enquanto faturamento direto é um conceito mais específico relacionado a contabilidade e receita”.
O termo será alterado nos boletins da Fenabrave, disse, acrescentando que do faturamento direto as locadoras respondem apenas por 30,5%. O restante são frotas e outros CNPJs, como produtores rurais, e PcDs.
Apesar da expectativa de que esses benefícios permaneçam após a reforma tributária há preocupações com possíveis perdas a longo prazo, sobretudo para grandes empresas. Atualmente os incentivos continuam a impulsionar o mercado, mantendo as locadoras relevantes e contribuindo para seu crescimento sustentado.