Há um ano a Ford anunciava o fim da produção no ABC

São Paulo – Há um ano mais de 2 mil trabalhadores do chão de fábrica da Ford do bairro do Taboão, em São Bernardo do Campo, SP, esperam por um final feliz. A companhia anunciou em 19 de fevereiro de 2019 que deixaria de produzir o Fiesta e os caminhões da linha Cargo e Série F naquela unidade, encerrando, também, sua operação de veículos comerciais pesados na América Latina. 

 

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A fila está andando em Camaçari
Coronavírus pode adiar desfecho da Ford Taboão
Prefeitura calcula perdas com a saída da Ford

 

A notícia, embora não completamente inesperada, pegou muita gente de surpresa – especialmente da cadeia fornecedora, que trabalhava em ritmo normal para suprir a produção daquela unidade. As linhas do Taboão operaram ainda por mais oito meses, até que em 29 de outubro foi montado, ali, o último caminhão Ford.

 

Neste interim muitas promessas foram anunciadas e descumpridas – nenhuma, ressaltemos, da Ford, que manteve sua postura desde o início: fecharia a fábrica e assim o fez. Quem assumiu o protagonismo, no caso, foi o governador do Estado de São Paulo, João Doria, que dias após o anúncio do fim das operações comprometeu-se a achar um comprador para a unidade.

 

E anunciou: há uma fábrica à venda no bairro do Taboão.

 

Logo o empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade, fundador do Grupo Caoa, candidatou-se. Deu início a uma longa negociação, chegou a sentar com o sindicato para discutir eventuais salários, bateu na porta do governo federal em busca de financiamento e, por fim, jogou a toalha.

 

Não sem antes atender a um chamado de Doria, que anunciou que Caoa e Ford estavam em processo de due dilligence e resolveriam toda a questão em trinta a 45 dias. Há cinco meses.

 

Outra que assumiu ter interesse foi a Foton, por meio de sua matriz. Os representantes brasileiros, porém, logo demoveram os executivos chineses da ideia e mantiveram os planos de erguer uma fábrica no Rio Grande do Sul – no terreno, aliás, escolhido pela Ford para construir sua unidade gaúcha que nunca saiu do papel por ali, mas em Camaçari, na Bahia, alguns quilômetros ao Norte.

 

Da última vez que foi questionado pela imprensa sobre o assunto o governador saiu pela tangente: disse que a negociação saiu da esfera do governo e passou de empresa privada para empresa privada. Em outras palavras, “fiz a minha parte, agora eles que se acertem”.

 

A expectativa de um final feliz por parte dos trabalhadores, porém, não se resume a promessas governador. Ainda há gente interessada e negociando: a chinesa BYD é uma delas. E o próprio presidente da Ford, Lyle Watters, mantém discurso otimista.

 

Restam poucos dias para que o imóvel do Taboão seja completamente desabitado. As equipes de marketing, vendas e comunicação, além da presidência, estão se mudando para um prédio na Vila Olímpia, na Capital São Paulo, em março.

 

Um ano depois, ainda há incertezas. Mas segue a esperança de que aquele quase septuagenário terreno industrial mantenha sua vocação automotiva. Nesta série de reportagens especial da Agência AutoData, conversamos com trabalhadores, governo e fomos atrás de informações divulgadas pela própria Ford para entender o cenário futuro da companhia e do terreno de São Bernardo do Campo.

 

Foto: Divulgação.

A fila está andando em Camaçari

São Paulo – O futuro da Ford, no Brasil, está em Camaçari, BA. Na América do Sul há ainda a operação de Pacheco, na Argentina. A fila andou, como se diz, mas ainda são poucas as informações a respeito de como será configurada a oferta de produtos fabricados nos dois países a partir do encerramento das operações em São Bernardo do Campo, SP.

 

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O que se espera, no entanto, é que as subsidiárias da montadora sediada em Dearborn, MI, sigam aquilo estabelecido no planejamento global da companhia, que não é outra coisa senão focar os esforços comerciais e de desenvolvimento em negócios que tenham rentabilidade, e encerrar as atividades naqueles considerados pouco atraentes, como foi o caso da Ford Taboão.

 

Segundo Fernando Trujillo, consultor da IHS Markit, as perspectivas para os próximos anos apontam para um novo SUV produzido na região: o Ford Territory, que, a princípio será importado da China: “Este modelo deverá começar a ser produzido em 2022, e haverá um outro, maior, também entrando na linha de Camaçari no ano seguinte, em 2023”.

 

Em Pacheco a Ford seguirá com a produção da picape Ranger e, segundo a IHS, também a da nova geração da Volkswagen Amarok, fruto de parceria estabelecida pelas empresas na área de veículos comerciais.

 

O foco nos negócios rentáveis deverá tirar das linhas o Ford Ka, que é produzido em Camaçari nas versões hatch e sedã. O prognóstico da consultoria aponta para 2022 como data limite da sua produção e consequente saída do mercado.

 

“O compacto é um veículo que garante volume à montadora, mas não entrega rentabilidade, que é aquilo que a empresa busca no mundo para poder se preparar financeiramente para a produção de veículos elétricos.”

 

No ano passado o Ford Ka na versão hatch ocupou a posição de segundo veículo mais vendido no mercado brasileiro: segundo dados da Fenabrave foram 104,3 mil unidades licenciadas. Quando somadas também as vendas da versão sedã o volume sobe para 155,5 mil.

 

Na Argentina, para onde o modelo é exportado, foram vendidas 16,6 mil unidades em 2020 segundo dados da Acara, a associação das concessionárias argentinas.

 

No fim do ano passado o presidente da companhia para a América do Sul, Lyle Watters, disse que a empresa trabalha para tornar viável a aplicação de um novo ciclo de investimentos que garantirá a fabricação de uma nova família de produtos, mas que, antes, é preciso solucionar alguns entraves:

 

“Temos grandes desafios de custos por aqui. Precisamos fazer uma reestruturação de custos de mão de obra. Na área de engenharia há a questão logística e a necessidade de aumentar a produtividade da unidade. Trabalharemos em conjunto com fornecedores e funcionários para que isto aconteça. O lado bom é que, se conseguirmos fazer estas melhorias em Camaçari, vejo um futuro brilhante para a planta”.

 

Junto com os modelos fabricados na Bahia e em em Pacheco a empresa também comercializa Edge ST, Fusion e Mustang, todos importados.

 

Foto: Divulgação.

Coronavírus pode adiar desfecho da Ford Taboão

São Paulo – Cerca de seiscentos trabalhadores da linha de produção da Ford Taboão seguem esperançosos com relação à venda da unidade para outra empresa que mantenha a produção de veículos na septuagenária fábrica de São Bernardo do Campo, SP. O problema é que a lista de entraves ao fechamento do negócio cresce com frequência.

 

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Há um ano a Ford anunciava o fim da produção no ABC
A fila está andando em Camaçari
Prefeitura calcula perdas com a saída da Ford

 

Àquele considerado o maior revés dos funcionários, a saída da Caoa Montadora das negociações, e às condições do terreno sobre o qual está construída a unidade, outro grande obstáculo a um desfecho rápido para o destino das linhas, juntou-se outro item. E ele tem contornos biológicos: o coronavírus, ou Conavid-19, como foi rebatizado, deverá afastar o negócio do radar de investidores chineses.

 

Segundo Wagner Santana, o Wagnão, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, o momento é de esperar que o tema do vírus, que chegou a afetar a produção global de veículos, perca força para, assim, aumentarem as possibilidades da compra da fábrica voltar à pauta de chineses que manifestaram interesse pela fábrica do Taboão, como é o caso da BYD e de outro empresa cujo nome, por ora, segue por trás do biombo corporativo.

 

“Depois que a Caoa desistiu do negócio os ânimos arrefeceram”, disse o presidente do sindicato. “Voltamos a acreditar em um desfecho rápido com o anúncio da BYD, mas logo na sequência, para o nosso azar, surgiram as primeiras notícias a respeito do vírus na China. Como as empresas interessadas são chinesas, acreditamos que eles tenham outras prioridades no momento.”

 

O presidente disse, ainda, que a expectativa, hoje, trata mais de estabelecer a torcida para que a unidade seja mantida como montadora de veículos. Este também é o desejo de Orlando Morando Júnior, prefeito de São Bernardo do Campo, que afirmou que está é sua prioridade até o fim de mandato, que se encerrará em dezembro.

 

De acordo com Wagnão, desde o fim da produção da fábrica, em outubro, cerca de sessenta ex-funcionários da Ford Taboão conseguiram ser realocados em outras montadoras instaladas no município. Os trabalhadores da área administrativa seguem ali até março, quando se mudarão para endereço na Vila Olímpia, em São Paulo.

 

Foto: Divulgação.

Prefeitura calcula perdas com a saída da Ford

São Paulo – Sem operação na fábrica do Taboão, onde a Ford produziu caminhões até outubro do ano passado, a prefeitura de São Bernardo do Campo, SP, perderá em 2020 cerca de R$ 14 milhões em tributos como ICMS e ISS, de acordo com o prefeito Orlando Morando Júnior.

 

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Há um ano a Ford anunciava o fim da produção no ABC
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Coronavírus pode adiar desfecho da Ford Taboão

 

“Neste ano deixaremos de arrecadar R$ 10 milhões em ICMS e R$ 4 milhões em ISS, repassados do Estado ao município”, disse o prefeito à Agência AutoData. Ele negou, no entanto, que a saída da Ford afete o desenvolvimento da cidade: “O maior prejuízo foi perder tantos postos de trabalho, mas ainda temos muitos locais que poderão abrir novas vagas”.

 

A Ford ainda recolhe o IPTU do terreno, que está à venda. Segundo Morando o pagamento do imposto integral foi antecipado pela companhia – medida que pode, de alguma maneira, indicar que a Ford não espera negociação envolvendo Taboão no curto prazo.

 

O prefeito disse que a única negociação que chegou à sua mesa foi a que envolvia a Caoa – e que não avançou. A ele nada foi relatado sobre possíveis novos interessados, embora governo, Ford e até potenciais compradores tenham se manifestado sobre conversas:

 

“Na minha mesa não tem nada até o momento. Sobre o interesse da BYD fiquei sabendo pela imprensa, não houve nenhuma conversa por aqui. Queremos negociar a fábrica, mas até agora não fomos procurados”.

 

Desde o anúncio do fim das operações da Ford em São Bernardo o governo do Estado de São Paulo assumiu a responsabilidade de encontrar um comprador para a unidade, junto com a Prefeitura e a própria montadora. Porém as conversas com o Grupo Caoa e outros interessados não avançaram ao longo de 2019 e, em 2020, o panorama segue envolto pelos ares da incerteza.

 

No fim do ano passado o governador João Doria disse que depois de todo o trabalho feito as conversas estavam nas mãos da iniciativa privada: “Isso é um negócio do privado para o privado. Nós já estimulamos o máximo possível e já foi absorvida uma quantidade expressiva de mão de obra em outras indústrias, como a General Motors. Estamos torcendo para que haja um desenrolar positivo mesmo que não seja com a Caoa”.

 

Procurada pela reportagem de AutoData a assessoria do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, não quis se pronunciar a respeito do assunto. A Secretaria da Fazenda informou por meio de nota que “não estava participando das negociações, as quais são tratadas em sigilo”.

 

O encerramento da produção acendeu uma luz de alerta para a cadeia de fornecedores que está instalada na região de São Bernardo do Campo, mas, segundo a Prefeitura, nenhuma empresa encerrou as operações na cidade por causa da saída da montadora: “O que pode acontecer é o registro de um faturamento menor por parte dos fornecedores que abasteciam a unidade”.

 

Morando disse ainda que o fim da produção da Ford foi “um ponto fora da curva causada por má administração e falta de investimento”, e que a medida é resultado de “produtos ultrapassados que perderam seu espaço no mercado”. Ele descarta a possibilidade de outras montadoras tomarem decisão semelhante: “Outras montadoras estão investindo em suas fábricas na região, olham para o longo prazo e vão muito bem”.

 

Ele ainda mantém otimismo a respeito de um desfecho positivo envolvendo a fábrica do Taboão – coloca como uma de suas metas até o fim de mandato, que se encerra em dezembro: “Enquanto eu for prefeito ali será uma unidade industrial. Não queremos que o terreno seja usado para outro tipo de empreendimento. Nossa preferência é pela chegada de outra empresa do setor automotivo, mas, caso empresas de outros setores estiverem interessadas, elas serão muito bem vindas”.

 

Foto: Divulgação.

Renault vende toda a sua linha pela internet

São Paulo – O consumidor brasileiro já pode comprar qualquer modelo Renault 0KM pela internet. A iniciativa que começou com o Kwid, em 2018, e foi expandida para Sandero, Logan e Stepway, no ano passado, se estende agora a todo o portfólio de veículos de passeio brasileiro, em integração com os estoques das concessionárias – com isso, e possível encontrar o veiculo que deseja na revenda mais próxima.

 

Segundo a empresa informou em comunicado, todas as etapas de aquisição do automóvel estão agregadas na Loja Renault (http://loja.renault.com.br). Incluindo os financiamentos pelo Banco Renault e a avaliação do usado em parceria com o sistema da AutoAvaliar, usado por diversos lojistas e concessionárias.

 

A plataforma online pode ser acessada por celulares, tablets ou computadores. Ricardo Gondo, presidente da Renault do Brasil, disse que atende, assim, uma demanda do consumidor brasileiro:

 

“Sabemos que os clientes estão cada vez mais conectados e fazem diversas atividades e compras on-line. O nosso e-commerce é mais uma forma prática, simples e segura de adquirir um Renault”.

 

Foto: Divulgação.

 

Basf produzirá materiais para baterias de elétricos

São Paulo — A BASF anunciou a produção de materiais para baterias veiculares em Schwarzheide, Alemanha. Essa fábrica, considerada uma das mais modernas da companhia, produzirá materiais de cátodo ativo com capacidade inicial que tornará viável o fornecimento para cerca de 400 mil veículos elétricos por ano.

 

Enquanto se prepara para atender às demandas europeias futuras a companhia observa as tendências no mercado brasileiro. Diretora da unidade de catalisadores para a América do Sul, Letícia Mendonça disse que “o potencial maior na região segue com os biocombustíveis, como etanol e biodiesel. A área de catalisadores, em Indaiatuba, está pronta para atender projetos futuros”. 

 

Foto: Divulgação.

Mercedes-Benz fornece quinze ônibus à Rimatur

São Paulo — A Mercedes-Benz entregou em janeiro quinze ônibus rodoviários à Rimatur Transportes, operadora sediada em Curitiba, PR. O negócio representa expansão dos veículos da marca na operadora: no ano passado foram comprados 170 ônibus urbanos em processo de renovação de frota.

 

De acordo com Emerson Imbronizio, diretor comercial da Rimatur, “logo no seu primeiro ano em nossas operações de fretamento o OF 1721 correspondeu às expectativas e se destacou pela economia no consumo de combustível além do seu baixo custo de manutenção”. 

Venda de veículos VWCO sob medida cresce 40% em 2019

São Paulo – No ano passado a Volkswagen Caminhões e Ônibus registrou alta de 40% nas vendas por veículos sob medida, comparado com o resultado de 2019. Estes modelos representaram 27% de tudo o que foi produzido na fábrica de Resende, RJ, em 2019, ante 22% sobre a produção de 2018.

 

Ricardo Alouche, vice-presidente de vendas, marketing e pós-vendas da empresa, disse que a oferta desse tipo de veículo, atualmente, “é crucial” para seus negócios.

Kia: mais uma abandona o Salão do Automóvel.

São Paulo – Após participar de catorze edições consecutivas do Salão Internacional do Automóvel de São Paulo, a Kia Motors anunciou na quarta-feira, 18, que está fora da 31ª edição, agendada para novembro de 2020. Mais uma baixa no evento que, para o presidente José Luiz Gandini, foi por muitos anos o encontro automotivo mais importante do ano:

 

“No entanto a realidade da comercialização de automóveis mudou radicalmente nos últimos anos. Os compradores passaram a conhecer os produtos por meio de plataformas digitais”, afirmou o executivo na nota distribuída à imprensa, onde ressaltou que seu foco, em 2020, será em ferramentas de marketing mais próximas dos consumidores finais e eventos regionais em diversos estados brasileiros.

 

A empresa se junta ao grupo de montadoras que não participará do salão em 2020. Gandini também disse que a Kia não está fechando as portas para o Salão do Automóvel – em novos formatos a empresa pode reavaliar sua participação. A mudança no formato é um pleito de outros presidentes de montadoras, como Pablo Di Si, da Volkswagen, e já faz parte da pauta das reuniões da Anfavea.

 

Foto: Divulgação.

Pablo Di Si quer Salão com formato diferente

São Carlos, SP – A Volkswagen não confirmou, nem declinou, sua participação no Salão Internacional do Automóvel de São Paulo 2020. O presidente Pablo Di Si disse ter vontade de participar, ressaltou a importância do evento para o mercado brasileiro, mas admitiu que o formato precisa ser mudado. E pediu a presença maciça da concorrência:

 

“O Salão do Automóvel é importantíssimo para o Brasil. Para todas as marcas. Mas o formato precisa ser mudado, precisamos de algo mais dinâmico, digital, um contato maior do público com os modelos, talvez algo menor. E os expositores aproveitariam para vender”.

 

Sem entrar em pormenores sobre custos o executivo afirmou, na fábrica de motores de São Carlos, SP, na terça-feira, 18, que há tempo para mudar o formato ainda nesta próxima edição. Segundo ele uma reunião na Anfavea na semana passada deu o primeiro passo para uma possível reformulação – e Di Si está confiante.

 

“O ideal é que todas as marcas se unam para buscar novas opções. Com um formato diferente, e a participação de todas as marcas, a Volkswagen estará no Salão”.

 

Foto: Divulgação.