O setor automotivo nacional está no limiar de uma nova fase de expansão em meio a um de seus momentos mais turbulentos. Toda cadeia automotiva sofre danos com a crise provocada pelo Covid-19, as tensões se ampliaram com a decisão de duas importantes montadoras de fechar fábricas de automóveis no Brasil e há pressão do governo e sociedade para que carros mais sustentáveis sejam produzidos no País.
Além das dificuldades da pandemia, a burocracia encarece operações de produção e P&D no País. “É preciso buscar meios para tornar a cadeia automotiva mais rentável e competitiva a fim de prepará-la para um novo ciclo de expansão que virá com as demandas por veículos mais sustentáveis”, comenta Marcos Gonzalez, diretor da área automotiva da Becomex.
O setor automotivo, que representa 3% do PIB nacional de acordo com a Anfavea, sofre constante pressão para produzir veículos mais amigáveis ao meio ambiente. Mas atender essas demandas exige, mais tecnologia embarcada nos veículos, que os torna, por fim, mais caros.
Diante deste dilema, e em função dos problemas causados pela pandemia, a Anfavea pleiteou junto ao governo adiamento de prazos para adoção das novas fases do programa de controle de emissões para veículos leves (Proconve L7, prevista para 2022) e pesados (Proconve P8 prevista para 2023). O governo não acatou e manteve o cronograma original. Montadoras e sistemistas terão que implementar, rapidamente, mais tecnologia em seus produtos e a demanda por componentes importados irá aumentar.
No curto prazo será preciso recorrer às importações. Para agilizar esses processos, e fugir de armadilhas fiscais e alfandegárias, as montadoras e os sistemistas terão que buscar as melhores práticas de “trade compliance”. “Temos expertise nesses processos tributários e aduaneiros e estamos capacitados para apoiar toda cadeia automotiva nas importações tanto de ferramentais como itens de alta tecnologia para produzirmos no País a nova geração de veículos mais eficientes, inteligentes e sustentáveis”, afirma Gonzalez.
Estudos indicam que enquanto a eletromobilidade será o foco da indústria automotiva instalada em países do Primeiro Mundo, nesta década, o Brasil se tornará grande polo produtor de veículos sustentáveis utilizando combustíveis renováveis (etanol, biodiesel e célula de hidrogênio) e valendo-se também da tecnologia híbrida.
Por isso, a médio e longo prazo, o caminho será a nacionalização de componentes. Câmbio alto e a própria pandemia forçam as montadoras a buscarem alternativas viáveis em mercados onde atua. A ideia é depender cada vez menos de conteúdos importados.
“A cadeia automotiva vai passar por um período de grande expansão no País e tudo indica que o Brasil tende se tornar um importante polo exportador de veículos movidos a combustíveis verdes, os quais poderão ser uma opção de mercado, frente aos veículos 100% elétricos. Nesse sentido, é de suma importância que as empresas envolvidas neste processo estejam atentas e preparadas para a correta aplicação dos atuais Regimes Especiais e Incentivos Fiscais, pois tal procedimento pode ajudar a tornar tais produtos mais competitivos”, diz Alexandre Furman, sócio de área de Consultoria Tributária da Deloitte.
A aliança firmada entre Deloitte e Becomex tem como principal objetivo oferecer a todas as indústrias envolvidas na cadeia automotiva montadoras e fornecedores meios eficazes para se obter o melhor aproveitamento dos Regimes Especiais atualmente disponíveis no País. “O capital gerado com a estratégia tributária colaborativa que desenvolvemos pode servir como alavanca de caixa da ordem de 6% a 18% do que o setor anualmente investe em P&D, especialmente, na localização de componentes e assim viabilizamos a produção de veículos ambientalmente mais avançados no País”, conclui Marcos Gonzalez, da Becomex.