São Paulo – A General Motors orientou a seus fornecedores que eliminem o uso de peças de suas cadeias de suprimentos provenientes da China, o que reflete a frustração crescente com as interrupções de fornecimento causadas por problemas geopolíticos. A informação é de pessoas familiarizadas com o assunto, segundo reportagem da Agência Reuters.
De acordo com estas fontes, que pediram sigilo, executivos da GM têm orientado seus fornecedores a buscarem alternativas à China para o suprimento de insumos com o objetivo de transferir suas cadeias para fora do país. A montadora deu prazo até 2027 para que as empresas encerrem suas relações comerciais com fabricantes chinesas.
As tensões políticas dos Estados Unidos com a China e o tarifaço imposto pelo presidente estadunidense Donald Trump têm levado as montadoras a repensarem seus laços, principalmente no que diz respeito a peças usadas em veículos fabricados na América do Norte, de onde sai a maior parte dos veículos globalmente.
De acordo com a reportagem a montadora prefere obter peças de fábricas estadunidenses para veículos fabricados na região, mas está aberta a cadeias de suprimentos fora do país e da China. Em uma conferência em outubro Shilpan Amin, chefe global de compras da GM, afirmou que o risco de interrupções no fornecimento obrigou a montadora a deixar de lado a estratégia de simplesmente recorrer aos países de menor custo:
“A resiliência é importante. Garante que você tenha mais controle sobre sua cadeia de suprimentos e saiba exatamente o que está chegando e para onde”.
Para fornecedores de peças, no entanto, redirecionar as cadeias de suprimentos para fora da China pode ser caro e complexo. A China tornou-se tão dominante em algumas áreas como iluminação, eletrônicos e fabricantes de ferramentas e matrizes que forjam componentes personalizados, que é difícil encontrar alternativas, disseram executivos de fornecedores.
“É um esforço enorme. Os fornecedores estão se desdobrando”, disse um executivo de uma grande fabricante de autopeças, sobre a iniciativa da GM. É consenso dos fornecedores que esta mudança não acontecerá tão rapidamente, uma vez que demoraram vinte ou trinta anos para se estabelecerem por lá.