MAN aposta em novo mercado. De caminhões elétricos.

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A MAN seguirá buscando negócios em novos mercados enquanto o mercado interno se recupera, e uma das bandeiras de seu planejamento é o modelo elétrico e-delivery, desenvolvido por equipe de engenheiros brasileiros lançado em outubro na Fenatran. O caminhão leve, que será testado na parceira Ambev nos próximos dois anos, impõe desafio importante: mais do que expor o seu produto e prospectar futuros negócios a empresa terá de criar um mercado praticamente do zero.

 

Durante o Encontro Econômico Brasil-Alemanha 2017, realizado em Porto Alegre, RS, na segunda-feira, 13, o presidente Roberto Cortes sinalizou que a empresa teve de assumir esse papel em função do desenvolvimento do mercado interno de elétricos no segmento de veículos comerciais e, também, na abertura de portas em outros países, na América Latina e na Europa: “Aprenderemos com a Ambev durante o período de testes. Afora as melhorias que podem incidir no produto teremos de trabalhar no desenvolvimento de toda a cadeia que cerca a operação de um veículo como este”.

 

A MAN, na prática, buscará ao longo desse tempo de testes parceiros que possam ajudá-la na massificação de seu caminhão elétrico, e não apenas para a nacionalização de alguns componentes importantes – como as baterias, feitas pela Winston, na China – mas também em áreas como manutenção do powertrain elétrico e pontos de recarga: “Nesse sentido será necessário criar uma nova rede, pois o modelo elétrico demanda um novo modelo de negócios. Por exemplo: estudamos se, no futuro, será melhor incentivar o cliente a ter ponto de recargas ou se nós, ou parceiros, deveremos fazer a gestão de baterias carregadas que possam ser trocadas pelo cliente pela usadas”.

 

O projeto é considerado relativamente simples a ponto de reduzir o custo de produção se feito em larga escala – possui 30% a menos de peças do que um caminhão equipado com motor a combustão, segundo Leandro Siqueira, diretor de desenvolvimento de produto da MAN. O motor, produzido pela WEG especificamente para o modelo, poderá sofrer adaptações para ter seu tamanho reduzido, tornando o veículo mais leve: “O motor é fruto de parceria e estamos trabalhando, agora, em um processo de melhoria contínua para reduzir ainda mais o custo de produção”.

 

Um modelo de custo baixo e que atenda exigências de mercados desenvolvidos em termos de emissões e eficiência energética, como é visto o e-Delivery dentro da MAN, o credencia a ser oferecido ao mercado europeu. De acordo com Andreas Renschler, do conselho da Volkswagen e CEO mundial da área de caminhões e ônibus, a empresa quer incrementar seus indicadores em novos mercados e melhorar o desempenho comercial onde já está.

 

Para ele a nova linha Delivery, no contexto da América Latina, é um reforço para a concorrência em países que possuem mercados pulverizados, como é o caso de Chile, Colômbia e Peru. A versão elétrica representa um passo maior: “Nós já dominamos a tecnologia, várias empresas do grupo desenvolveram algo no campo da eletrificação. É o caminhão elétrico possível pensado para a demanda dos clientes, por isso enxergamos oportunidades na Europa”.

 

Foto: Divulgação