Caxias perdeu 25 mil empregos com a crise. Número não será recuperado.

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CompartilheSeminário AutoData
13/12/2017

A crise dos últimos três anos gerou uma situação até então sem precedentes na economia de Caxias do Sul, RS, segundo maior polo metalmecânico do País. Foram fechados 25 mil postos de trabalho, a maioria na indústria metalúrgica, onde o segmento automotivo participa com 75% do faturamento e 40% da mão de obra empregada. O estoque geral de empregos na cidade caiu de 183 mil, em 2013, para 158 mil em dezembro passado. Neste ano houve pequena melhora, atingindo 160 mil em outubro. A indústria em geral responde por cerca de 50% dos números.

 

Em painel sobre o futuro da economia de Caxias do Sul, que tem forte dependência da indústria automotiva pesada, realizado no Fórum AutoData de Veículos Comerciais, na terça, 12, o presidente das Empresas Randon, David Randon, alertou que, dificilmente, a cidade voltará a ter os mesmos números de empregos do passado. Até porque, de acordo com ele, volumes de produção como os de 2013 também não se repetirão no curto prazo. Afirmou que a crise forçou a adoção de medidas para tornar as empresas mais competitivas, o que inclui maior uso da automação. “Só assim vamos ganhar produtividade e, consequentemente, competitividade para conquistar mercados no exterior”, argumentou.

 

Francisco Gomes Neto, CEO da Marcopolo, reforçou a visão de Randon defendendo investimentos expressivos em inovação, produtividade e qualidade para garantir seu crescimento. Afirmou que a fabricante de carrocerias de ônibus intensificou ações nestas áreas e conseguiu ganhos em eficiência e redução de custos. “Com isto, aliado a estratégias comerciais fortes, retomamos mercados no exterior que havíamos perdido para concorrentes de outros países e conquistamos novos”, sustentou. O executivo salientou que, em razão da crise, a empresa reduziu o quadro em 4 mil pessoas. Neste ano já recontratou em torno de quatrocentos. Também destacou que, mesmo com a crise, não houve o corte de nenhum benefício social aos funcionários.

 

Leandro Mantovani, presidente da Keko Acessórios, de Flores da Cunha, comentou que a empresa reduziu seu quadro de 470 para 320 funcionários, mas já iniciou as recontratações. Assinalou que a organização sempre aportou recursos em inovação, medida que amenizou os impactos da crise. A Keko já tem em torno de 30% de sua receita associada a novos produtos. “Sofremos como todas as empresas, mas pela adoção de ações inovadoras anteriores e forte atuação no mercado de SUV’s, que não apresentou queda como nos veículos pesados, foi possível controlar a situação”.

 

Confiança em ano melhor – O presidente das Empresas Randon, David Randon, projeta crescimento de 15% a 20% no próximo ano, em linha com a visão das montadoras de caminhões. Referiu, no entanto, ser imprescindível a aprovação de reformas, como a da Previdência, para que o País tenha um desenvolvimento sustentável. “Espera-se que a classe política comece a pensar no País e deixe de lado somente os seus interesses”, cobrou.

 

Ponderou, no entanto, que o setor empresarial precisa fazer sua parte, em especial os fornecedores da cadeia automotiva. Segundo ele, é preciso explorar novos mercados. “Independente de tamanho, devem investir nas exportações. Os chineses são um bom exemplo: começaram copiando os japoneses, mas investiram no aprimoramento e hoje têm presença mundial, com produtos de qualidade e competitivos”, exemplificou.

 

Francisco Gomes Neto confirmou que a Marcopolo tem uma boa carteira de pedidos para o primeiro trimestre do ano, o que não ocorria nos últimos anos. Acredita que todo o semestre se comporte de forma positiva. Já o segundo, em razão das eleições, ainda é uma incógnita. Ainda assim estima alta de 10% a 15% em 2018. Mantovani, da Keko Acessórios, não crê mais em avanços de 20%, como a empresa teve em anos anteriores. Projeta alta sustentável, na ordem de 3% a 4%.

 

Luciano Beltrame, diretor da planta de Eaton de Caxias do Sul, lembrou que a empresa está na cidade há 12 anos após ter adquirido a operação da Pigozzi Cipolla, especializada no atendimento do setor agrícola. Ressaltou que a unidade está recebendo atenção especial da companhia para, inclusive, ampliar seus nichos de mercado. “Além da concorrência com o mercado, também disputamos projetos com as demais unidades do grupo”, ressaltou. Em área de 40 mil m² construídos, a planta produz transmissões e componentes agrícolas para tratores, colheitadeiras e pulverizadores.

 

Foto: Ícaro de Campos.