Anfavea: investimentos podem ser revistos.

Imagem ilustrativa da notícia: Anfavea: investimentos podem ser revistos.
CompartilheSeminário AutoData
05/03/2018

Sem a definição de uma política industrial específica o País corre o risco de perder investimentos da indústria automotiva, mesmo aqueles já anunciados. A avaliação é do presidente da Anfavea, Antonio Megale, que participou na segunda-feira, 5, do Seminário AutoData Megatendências do Setor Automotivo – Os Desafios de 2018 Com ou Sem o Rota 2030, realizado em São Paulo, Capital.

 

Para ele, a aprovação do programa é fundamental para que as fabricantes sigam investindo em tecnologia. “Desde o Inovar-Auto a indústria automotiva tem feito a sua parte para reduzir a emissão de poluentes, com investimentos em tecnologia. Mas se o mercado não estiver aberto para novos avanços isso pode levar as matrizes a repensar seus investimentos aqui”.

 

Em sua apresentação o dirigente da Anfavea citou também o caso das montadoras do segmento premium, que sem regras específicas para produção em baixos volumes igualmente poderiam rever seus planos em relação ao Brasil. 

 

De acordo com Megale o Rota 2030 não foi anunciado por uma divisão em relação ao tema na esfera governamental. “Iniciamos as nossas discussões com todos os ministérios, mas no fim do ano a Fazenda discordou. Sabemos que é difícil em ano de eleição prestigiar um setor, mas vamos continuar lutando para que o programa seja aprovado ainda neste governo.”

 

O presidente entende que uma das possibilidades na mesa para o Rota 2030 é sua aprovação por partes. Caso isso ocorra, o foco seria nas áreas de eficiência energética, segurança e pesquisa e desenvolvimento.

 

Ele afirmou ainda que durante o Inovar-Auto a indústria investiu bilhões em P&D, que contribuíram para melhorar a eficiência energética dos veículos. “Tivemos uma economia de R$ 7 bilhões por ano com combustível.”

 

Em relação às questões tributárias do programa, particularmente questionadas pela Fazenda, Megale comentou que para um teto de R$ 1,5 bilhão de renúncia fiscal as empresas investiriam três vezes mais. “O setor gera cerca de R$ 40 bilhões por ano em receita e cerca de quatro vezes mais em tributos.”

 

Megale citou uma opção oferecida pela Fazenda, pela qual o incentivo a P&D para a indústria automotiva viria pela Lei do Bem, que abate imposto de renda sobre o lucro. “Mas quando as empresas registrarem resultados negativos não haveria benefício”, questionou.

 

Ele deixou claro em sua apresentação no evento de AutoData que “no ano passado tivemos duas reuniões com o Presidente de República, e nos foi dito que o Rota 2030 seria aprovado. As empresas investiram acreditando nisso. Precisamos ter clareza sobre as regras e previsibilidade”.

 

Foto: Allex Chies.