Renault aguarda Rota 2030 para definir novos investimentos

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06/03/2018

Com a inauguração da fábrica de injeção de alumínio na terça-feira, 6, a Renault concluiu mais uma etapa de um ciclo de investimentos de R$ 3 bilhões faltando apenas R$ 400 milhões que serão aplicados ainda este ano na ampliação da planta de motores. Um novo ciclo de investimentos da fabricante no Brasil poderia já ser anunciado, no entanto, a empresa aguarda definição do Rota 2030 para fazer novos aportes nos próximos anos. Luiz Pedrucci, presidente da Renault do Brasil, falou sobre o impacto da falta de clareza nas regras para o setor automotivo:

 

"Encerramos um ciclo de investimentos, mas hoje não temos clareza quanto às regras e, por isso, temos que ser prudentes para definir os novos investimentos e o melhor caminho. Sem o Rota 2030, há risco de fazer investimento na direção errada". 

 

Durante a solenidade na fábrica de injeção de alumínio, que teve a presença de Marcos Jorge de Lima, ministro interino do MDIC, Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Pedrucci aproveitou para falar que "a decisão do novo ciclo de investimentos estava no aguardo do que vai ser estabelecido pelo Rota 2030". Na sequência, Olivier Murguet, presidente da Renault para a América Latina, reforçou a necessidade de definição sobre o Rota para que o País atraia investimentos:

 

"Para definir o novo ciclo de investimentos, temos que conhecer as regras do jogo e o Rota vai dar essas definições". 

 

De nada adiantou o apelo dos executivos. O ministro, que falou na sequência, se limitou a dizer: "Sei que vocês querem respostas, mas infelizmente não tenho respostas".

 

No fim da cerimônia, AutoData tentou conversar com o ministro. Assessores tentaram evitar o contato dizendo que o representante do governo estaria atrasado para um voo. Caminhando rápido ao lado do ministro foi possível perguntar sobre os motivos dos adiamentos, já que ele próprio tinha afirmado a intenção da Presidência em aprovar o Rota 2030 até o fim de fevereiro. Mais uma vez o ministro Marcos Jorge foi evasivo: "Já disse tudo no meu discurso". 

 

O fato é que sem uma definição o País corre o ricos de perder investimentos, conforme disse o presidente da Anfavea, Antonio Megale, durante seminário AutoData realizado na segunda-feira, 5.

 

Na coletiva de imprensa depois da inauguração da nova fábrica, Pedrucci não descartou que investimentos que poderiam ser feitos no Brasil podem, sim, ir para outros países, como Argentina e Colômbia:

 

"Corremos o risco de perder algum projeto para outro país". Ele lembrou, por exemplo, que na semana passada a Colômbia começou a exportar o Duster para a Argentina. Antes os argentinos recebiam o modelo brasileiro. Isso não tem ligação com o Rota 2030, mas com competitividade daquele país em relação ao Brasil. Serve, porém, para mostrar que há uma competição também entre as plantas regionais e, sem o Rota, o Brasil pode ficar em desvantagem dentro deste cenário.

 

Foto: Divulgação.