Convergência tecnológica é fundamental para expandir

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CompartilheSeminário AutoData
23/04/2018

Com parque industrial representativo e mercado que pode se tornar o quarto ou quinto no mundo, a união das indústrias automotivas no bloco do Mercosul pode trazer muitos benefícios, mas também enfrenta seus desafios. Antônio Megale, presidente da Anfavea, chamou a atenção para esta constatação: “A convergência é importante para enfrentar as dificuldades”. Ele abriu as apresentações do Seminário AutoData sobre Novas Oportunidades do Mercosul, realizado na segunda-feira, 23 de abril, no Hotel Transamérica, em São Paulo. 

 

Megale expôs alguns números, resultados de 2017, para dar essa ordem de grandeza e armou o cenário: a China registrou vendas de 29 milhões de veículos, o bloco da América do Norte, que reúne Estado Unidos, México e Canadá, teve 21 milhões de licenciamentos, a União Europeia na casa do 18 milhões e na Ásia, somando Japão e Coreia do Sul, que vendem 7 milhões de veículos -- com produção de 13 milhões, mostrando importante capacidade de exportação.

 

Neste panorama macro o Mercosul entra com mercado de 3,2 milhões e produção de 3,1 milhões de veículos. Em 2013 a produção chegou a 4,3 milhões e os licenciamentos a 4,6 milhões, o que mostra que há potencial para crescer. As exportações intrazona são de 74% e dos outros 26% 13% vão para Colômbia e México.

 

Brasil e Argentina possuem 76 fábricas, 58,1 milhões de frota circulante e 3% da produção mundial.

 

“É uma região pronta para avançar em produção, melhorar em produtividade e em competitividade.”

 

Hoje o Brasil tem acordos bilaterais com Argentina, Colômbia, Peru, Uruguai, Paraguai e México -- este último, embora esteja na América do Norte, é um grande parceiro: “Na nossa visão a tendência de abertura para mercados, se for muito rápida, trará dificuldades, mas se for a médio e longo prazo também levará a dificuldades”.

 

Com previsão de crescer este ano cerca de 12% a indústria automotiva brasileira, por sua vez, não pode descuidar dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, e aproveitar de seu potencial do biocombustível. Entra nesse pacote a discussão do programa Rota 2030: “Esperamos que o programa seja aprovado em breve para trazer maior previsibilidade aos investimentos e, também segurança jurídica. É preciso aumentar a competitividade com novas tecnologias, trabalhar também outras questões como as trabalhistas, as de logística e as tributárias. Dessa forma buscar mais mercados e aumentar nossas exportações”.

 

O Mercosul também precisa de avanços. De acordo com o executivo o que discutem, Brasil e Argentina, é a harmonização das normas técnicas para segurança e emissões e a padronização dos combustíveis: “Precisamos avançar nessa convergência técnica, por exemplo, em segurança é mais fácil, em emissões é um pouco mais complexo. É importante que haja um reconhecimento das entidades de homologação”.

 

Para Megale para avançar na concorrência global é preciso resolver, de maneira definitiva, a competitividade no Mercosul.

 

Foto: Christian Castanho.