PIB menor converge para expectativas da indústria

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28/06/2018

São Paulo – O Banco Central divulgou na quinta-feira, 28, projeções menos otimistas para o PIB: em seu relatório trimestral de inflação estima alta de 1,6% para a economia brasileira, ante 2,6% de crescimento previsto no mesmo relatório divulgado em março. Diz o documento que “a economia brasileira segue em processo de recuperação, em ritmo mais gradual do que o considerado na edição anterior deste relatório”.

 

Na mesma quinta-feira, 28, o Ipea, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, revelou sua trigésima-nona Carta de Conjuntura com projeções mais modestas para o PIB: em vez dos 3% de crescimento estimados em março, só 1,7% de alta.

 

As revisões convergem para as apresentadas por representantes do setor automotivo que participaram do Seminário AutoData Revisão das Perspectivas 2018, organizado por AutoData na segunda-feira, 28, no World Tarde Center, em São Paulo. Antônio Megale, presidente da Anfavea, anunciou que na próxima apresentação dos resultados da entidade, marcada para 5 de julho, as projeções para o ano serão revisadas.

 

Os números ainda não estão fechados -- e a própria nova divulgação do PIB deverá gerar algum impacto nessa revisão. No caso da produção, a perspectiva é de estabilidade nos números com um possível viés de redução na estimativa de crescimento, uma vez que Argentina e México, principais parceiros comerciais da indústria brasileira, estão com dificuldades internas. O provável menor volume de exportações estimado pela entidade acabará mexendo com o ritmo das linhas de produção nacionais.

 

Para o mercado doméstico as estimativas são mais positivas do que as divulgadas em janeiro: “Não deverá ser menor do que os 11,7% projetados no começo do ano. Se houver alteração será pra cima, coisa de 13%”.

 

Executivos que participaram do painel Automóveis do evento relataram que a demanda por vendas para pessoas jurídicas, as vendas diretas, está mais aquecida do que o varejo. Segundo Gustavo Schmidt, vice-presidente de vendas da Volkswagen, o movimento foi acima do estimado: “Não que o varejo esteja ruim, mas as vendas diretas surpreenderam pelo ritmo mais acelerado”.

 

Segundo o executivo as locadoras estão criando novas linhas de locação, incorporando veículos de outras gamas, como SUVs. Ao mesmo tempo a demanda de motoristas de aplicativos, como Uber e 99, ajudam a elevar as vendas deste segmento – muitos deles usam carros alugados, de acordo com Schmidt.

 

Mas há já vozes dissonantes com relação ao mercado doméstico. O presidente da Nissan, Marco Silva, revelou que a greve dos caminhoneiros fez com que a empresa mexesse com suas estimativas. Os efeitos já estão sendo sentidos: movimento 20% menor nas concessionárias e queda na confiança do consumidor: “Nossa projeção de crescimento para vendas foi reduzida de 4% a 5%. Acredito que o mercado ficará em 2 milhões 450 mil unidades”.

 

O segmento de autopeças também prepara revisão nas projeções com tendências menos otimistas. Segundo George Rugitsky, conselheiro do Sindipeças, o índice de confiança da indústria caiu bastante no último mês, assim como o do consumidor e o de produção indústria: “Já notamos, inclusive, algumas empresas recebendo pedidos menores do que os que chegaram antes da paralisação”.

 

Ritmo oposto – Alguns setores, porém, trabalham com estimativas mais otimistas. Em caminhões a expectativa é superar os 30% de crescimento projetados no início do ano. Segundo Ricardo Alouche, vice-presidente de vendas, marketing e pós-vendas da MAN Latin America, não é uma visão otimista: “Estamos, na verdade, em um patamar baixo”.

 

Em alguns subsegmentos, como o de extrapesados, as vendas crescem mais de 100%, de acordo com ele.

 

“Dava para crescer ainda mais”, disse Alcides Cavalcanti, responsável por vendas de caminhões da Volvo. “Não conseguimos aceitar mais pedidos porque a cadeia de fornecedores não acompanha o ritmo.”

 

A Scania Latin America tem programada para 2018 a produção de 28,9 mil caminhões e ônibus em São Bernardo do Campo, SP. Segundo Christopher Podgorski, seu presidente e CEO, o crescimento será de 40% sobre 2017.

 

Em máquinas agrícolas a expectativa é de aumento de 5%, segundo o diretor comercial da AGCO, Alexandre Vinícius de Assis. Mas com maior rentabilidade, uma vez que a demanda atual é por máquinas mais modernas e com motores mais potentes.

 

Com relação às vendas de máquinas de construção, Luiz Marcelo Daniel, presidente da Volvo CE, lembrou que cresceram 40% no primeiro semestre, mas espera um crescimento em torno de 30% no segundo. No caso da John Deere, Roberto Marques, seu diretor comercial, disse que o crescimento no primeiro semestre foi de 40% e acredita que será possível manter o volume no próximo.

 

Colaboraram Bruno de Oliveira e Caio Bednarski

 

Foto: Christian Castanho.