FCA confia no Brasil

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São Paulo – Os primeiros movimentos do novo governo reforçaram a confiança que a FCA, Fiat Chrysler Automobiles, tem no futuro do mercado brasileiro de veículos. Em conversa com jornalistas na sexta-feira, 8, o presidente para a América Latina, Antonio Filosa, relatou que o CEO global Mike Manley vê grandes oportunidades no País que, na sua opinião, segue o rumo certo para aprimorar sua competitividade.

 

“Os discursos da equipe econômica dão o tom de que eles trabalharão para gerar a competitividade necessária para tornar a indústria brasileira forte no cenário internacional. Isso soa como música para nós”, Filosa disse. “Mais do que medidas, como a reforma da Previdência, indicam caminhos positivos como privatizações na área de infraestrutura e uma reorganização tributária.”

 

Segundo Filosa um Renegade produzido em Pernambuco chega a custar de 30% a 35% mais do que um equivalente montado em fábricas na Europa ou Ásia, “e o carro é o mesmo, com os mesmos processos e peças”. Gargalos em infraestrutura, custos logísticos e impostos foram alguns dos fatores citados pelo presidente para justificar esse custo maior, embora tenha ressaltado a qualidade da mão de obra nacional e a capacitação dos engenheiros brasileiros.

 

Ainda assim foi o Brasil o grande responsável pelo lucro EBIT de € 359 milhões da FCA na América Latina no ano passado, que contribuiu para o resultado global positivo recorde de € 7,3 bilhões, crescimento de 34% sobre 2017. As vendas de veículos da empresa ao mercado brasileiro avançaram 14%, para 434 mil unidades – em toda a região o crescimento chegou a 10%, somando 566 mil veículos: “O desempenho aqui ajudou a compensar a queda das vendas na Argentina”.

 

Para Filosa a visão estratégica da companhia que, com a Jeep, apostou no segmento de SUVs, o que mais cresce no mercado brasileiro, e que com a Fiat oferece boas opções em picapes, também com desempenho positivo, ajuda a explicar o lucro na região.

 

Para 2019 o presidente projeta novo crescimento nas vendas no Brasil, de 8% a 11%, com os carros de passageiros ganhando força por causa do retorno das famílias ao consumo. A Argentina, segundo Filosa, só retornará ao crescimento a partir do segundo trimestre do ano que vem – mas já a partir de julho ou agosto deste ano as vendas deixarão de cair, até porque a base de comparação é bem baixa.

 

Os investimentos de R$ 14 bilhões na região, anunciados no ano passado, estão confirmados. Em Betim, MG, está em curso uma reorganização das plataformas – que serão, ao fim do ciclo de investimento, apenas duas.

 

Para a fábrica de Goiana, PE, segue o projeto de atração de mais fornecedores. O desejo de Filosa para a unidade, que produz Jeep, é torná-la um centro de exportação. E, quem sabe, até produzir modelos de outras marcas da Chrysler, como a picape de 1 tonelada da RAM – que está nos planos, mas sem avanços.

 

Certo é que a RAM 1500, uma das atrações no estande da companhia no Salão do Automóvel de São Paulo, em novembro, chegará ao mercado no segundo semestre, importada. E o primeiro produto da nova fase da fábrica mineira chegará no começo de 2020: “A partir daí teremos um lançamento a cada seis meses de produtos de Betim, até 2021, quando chegará o SUV Fiat. E ele está lindo!”.

 

Retornar à liderança de mercado, posto tomado pela General Motors há três anos, não faz parte dos objetivos da companhia – ao menos dos principais. Segundo Filosa o importante é seguir entregando resultados positivos como os do ano passado, “o que não significa que não queremos crescer no mercado. Temos espaço e vamos crescer. Mas uma posição confortável é aquela que permite entregar resultados financeiros confortáveis”.

 

Foto: Rafael Cusato.