Crescem remessas de lucro do setor automotivo

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11/02/2019

São Paulo – As remessas de lucros e de dividendos das empresas do setor automotivo para suas matrizes voltaram a crescer em 2018, quando as empresas fabricantes de veículos, autopeças e de carrocerias enviaram US$ 516 milhões, valor superior aos US$ 131 milhões emitidos em 2017. É o maior volume de remessas desde 2014, quando as empresas enviaram US$ 807 milhões.

 

A alta é reflexo da retomada das vendas de veículos no País, que apresentaram crescimento de 14,6% no ano passado, segundo Antonio Jorge Martins, especialista em cadeia automotiva da FGV SP: “Na medida em que as montadoras recuperaram os volumes de vendas após o período de crise deflagrado a partir de 2014, foi possível enviar mais dividendos e lucros”.

 

Ainda que tenham apresentado elevação o valor é quase dez vezes menor do que as emissões feitas em 2008, que somaram US$ 5,8 bilhões. Para Fernando Trujillo, consultor da IHS, as montadoras passaram por momentos de prejuízo no País e isso fez com que as remessas diminuíssem de volume a partir de 2010: “A indústria já foi muito mais lucrativa. Nos últimos quatro anos muitas montadoras tiveram prejuízo e isto ficou nítido com as reestruturações feitas em Ford, GM e FCA, por exemplo”.

 

Comparados às remessas de lucro de outros setores importantes da economia os envios do setor automotivo estiveram abaixo. Serviços financeiros, bebidas e comércio – exceto o de veículos – enviaram mais de US$ 1 bilhão em 2018, segundo levantamento feito pelo Banco Central. Para Trujillo a sensibilidade do setor às crises é maior do que a dos demais segmentos:

 

“Em relação aos outros mercados o de veículos é muito sensível a crises, um pouco diferente de indústrias de necessidades básicas como alimentos e bebidas ou até mesmo serviços financeiros, que costumam lucrar mais em épocas de crises, quando o nível de inadimplência aumenta. Se observarmos os serviços financeiros as remessas diminuíram no ano passado devido à recuperação econômica, mas é um setor que historicamente tem um volume de remessa maior do que o automotivo”.

 

Os dados do BC mostraram também que os empréstimos intracompany no setor automotivo aumentaram no 2017-2018. No ano passado as matrizes desembolsaram US$ 9,9 bilhões em suas subsidiárias brasileiras, 6,8% a mais do que em 2017. Nesse sentido, o setor automotivo foi o terceiro que mais recebeu empréstimos do Exterior, atrás de empresas do setor petrolífero e do agronegócio.

 

Foto: Divulgação.