Contaminação do solo pode refletir na venda da fábrica Ford

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São Paulo – O terreno sobre o qual está instalada a fábrica da Ford em São Bernardo do Campo, SP, onde ainda são produzidos caminhões e o hatch Fiesta, passa por processo de descontaminação e o cenário pode produzir reflexos nas negociações envolvendo seus ativos, lideradas pelo governo do Estado de São Paulo. Há três grupos interessados na compra, sendo o Grupo Caoa em estágio mais avançado, com um contrato de confiabilidade assinado.

 

Em 2017 a Cetesb, Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, constatou que na área há águas subterrâneas contaminadas por solventes e combustíveis. À AutoData o órgão informou que está em curso a remediação da área, com poços de monitoramento instalados para avaliar a presença de gases. A situação foi confirmada pela Ford, que afirmou apresentar relatórios periódicos com os dados referentes à descontaminação verificada.

 

Consta em relatório publicado em dezembro de 2017, pela diretoria de controle e licenciamento ambiental da Cetesb, que os procedimentos a serem adotados pela Ford na descontaminação são extração multifásica, oxidação química e remoção de solo e dos resíduos contaminantes. Na prática a empresa tem de contratar serviço e maquinário especializado para drenar os poluentes do terreno, o que pode demorar anos.

 

A fábrica e seu terreno foram colocadas à venda pelo governo do Estado de São Paulo após o anúncio da Ford da decisão de deixar o mercado de caminhões na América do Sul e encerrar a produção na unidade. Caso o comprador mantenha a atividade produtiva no local, informou a Cetesb, caberá a ele dar sequência ao tratamento do solo. Se no terreno ocorrerem modificações ou se for destinado a outra atividade, a Ford deverá limpar a área antes de desativar o espaço e entregar a licença de funcionamento.

 

Segundo Alberto Mori, advogado especialista em fusões e aquisições, o terreno contaminado pode depreciar os ativos da montadora e produzir reflexos na condução da transação em curso, com o Grupo Caoa e com outras empresas interessadas no negócio. O cenário, inclusive, é levado em consideração durante o processo de due dilligence:

 

“Quando já houve a constatação de que há passivo ambiental, que há um terreno contaminado, por exemplo, a tendência é a de que o cenário seja levado em consideração no momento da negociação. No período de auditoria, ou due dilligence, a situação ambiental é contabilizada junto com outros dados da operação e apresentado ao comprador, que constrói sua oferta com base nestas informações”.

 

O especialista afirmou, ainda, que quando há intenção de venda de ativos a indústria geralmente age internamente para resolver questões que possam depreciar o que se quer negociar, e que isso envolve todos os departamentos que a compõem: “Geralmente acontece antes, mas há casos em que empresas, após o due dilligence, arrumam a casa, ou seja, resolvem as questões pendentes na área fiscal e trabalhista, dentre outras”.

 

No caso da negociação do Grupo Caoa com a Ford as partes ainda não chegaram à etapa na qual ocorre o due dilligence, quando, afora as informações levantadas e apresentadas ao comprador ou compradores, é o momento em que é validado, por meio das informações, o preço do ativo em negociação. O Grupo Caoa estaria interessado, primeiro, em saber o preço antes de fazer a sua oferta, que considera outros pontos.

 

Foto: Divulgação.