Produzir carro no México é 18% mais barato

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CompartilheBalanço da Anfavea
07/05/2019

São Paulo – Os custos envolvidos na produção de um carro no México são, em média, 18% inferiores aos da indústria brasileira, aponta estudo de competitividade encomendado pela Anfavea à consultoria PricewaterhouseCoopers. Classificado como ponto de partida para a construção, em conjunto com o governo, de política para ampliar as exportações de veículos a partir do Brasil, o estudo foi apresentado pelo presidente Luiz Carlos Moraes a jornalistas na terça-feira, 7, em São Paulo.

 

Este porcentual contempla apenas os custos de produção, descontados margens e tributos. Aquelas despesas associadas diretamente à montadora – fabricação, mão-de-obra direta, logística, custos gerais, incluindo administrativos, e outros –, embora representem apenas um terço do custo do carro, são responsáveis por 55% da diferença. Os custos aduaneiros representam de 30% a 40% dos gastos com logística.

 

“Gastamos muito dinheiro para tratar de impostos”, disse Moraes, apontando uma das razões da falta de competitividade da indústria brasileira. “Precisamos de uma reforma tributária, precisamos reduzir a carga no médio prazo. Mas, antes, devemos buscar mais eficiência, aprimorar a logística e reduzir a burocracia.”

 

Quando incluídos os impostos incidentes na venda de veículos a diferença sobre para cerca de 40%. Aqui são diversos os tributos, como ICMS, PIS/Cofins, IPI, que podem chegar a 44%, enquanto no México há apenas um, o IVA, de 16%.

 

Outro cenário foi desenhado pela consultoria: a importação para o Brasil de um veículo produzido no México contra os custos de produzir esse mesmo modelo por aqui. Neste caso a vantagem do mexicano chega a 12%. Com o livre-comércio, em vigor desde março, esta conta pode – e, segundo Moraes, deve – influenciar nas tomadas de decisão de investimentos.

 

O Ministério da Economia já tem conhecimento do estudo da PwC – a própria diretoria da Anfavea o apresentou. Segundo Moraes a equipe está ciente das necessidades da indústria e trabalha na definição de metas e ações para aprimorar a competitividade.

 

“Ao tomar essas ações o governo ajudaria não apenas o setor automotivo mas toda a indústria. Esses custos afetam todos os setores.”

 

Moraes disse ainda que o foco na sua gestão, até 2022, será atacar essas deficiências para melhorar o cenário da indústria no longo prazo e que medidas paliativas, como a volta do Reintegra proposta por Carlos Zarlenga, presidente da General Motors, seriam positivas, mas insuficientes para resolver o problema total da indústria: “Atacar a causa é mais importante do que buscar um remédio”.

 

Foto: Divulgação.