Filosa: Brasil tem potencial para crescer duas vezes mais.

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14/06/2019

Belo Horizonte, MG – Os índices divulgados nas últimas semanas, aliados às expectativas revisadas por analistas com relação ao desempenho da economia brasileira, trouxeram um certo ar de nervosismo ao setor produtivo na opinião de Antonio Filosa, presidente da FCA para a América Latina. O que, segundo ele, é em parte justificável e em outra parte um certo exagero.

 

Para o executivo -- que conversou com jornalistas antes de subir ao palco para fazer sua análise econômica aos fornecedores presentes ao encontro anual promovido pela FCA em Belo Horizonte, MG, na quinta-feira, 13 --, o País tem capacidade para crescer duas vezes acima do projetado pela equipe do Ministério da Economia – 3% em vez de 1,5%. Mas precisa ser mais ágil na execução das ações.

 

“A agenda da equipe econômica agrada ao setor financeiro, mas o tempo de execução tornou-se fator sensível. Precisamos focar nisso. Mantido o ambiente econômico global o Brasil tem capacidade para voltar a crescer 3%. Tem potencial para isso.”

 

Filosa ponderou que a estagnação econômica – o PIB do primeiro trimestre fechou negativo em 0,2% – tem uma carga muito forte do setor de mineração, importante para a economia brasileira e que passou por dificuldades no começo do ano com a situação das barragens da Vale. Por isso não é estranho que o setor automotivo acumule avanço próximo a 10% nas vendas de janeiro a maio, com ressalvas.

 

As ressalvas estão nos números apresentados pelo presidente da FCA: dos 63,3 mil automóveis e comerciais leves vendidos a mais de janeiro a abril, comparado com o mesmo período de 2018, 61,8 mil foram comprados por grandes frotistas. Os pequenos empresários compraram 3,7 mil veículos a mais e as famílias adquiriram 2,3 mil veículos a menos.

 

De todo modo Filosa segue confiante de que as vendas no mercado brasileiro fecharão em alta de 10% sobre 2018, chegando a 2,7 milhões de unidades. As marcas da FCA, Fiat e Jeep, acumularão alta de 14% e abocanharão, nas suas contas, 18,7% desse volume. O que justifica os volumes mais altos de produção em Betim, MG, e Goiana, PE, suas duas fábricas brasileiras.

 

América Latina – Os demais mercados da região, porém, não acompanham a trajetória de crescimento do brasileiro. Filosa calcula vendas 5% menores na América Latina, puxadas pelo mau desempenho da Argentina, que consumirá menos de 500 mil unidades. Os demais países somam cerca de 1 milhão de unidades e estão em queda, no geral, de 6%.

 

O presidente da FCA voltou a defender a proposta de elevar o Reintegra para 10% enquanto as distorções competitivas do Brasil, como logística, tributos e burocracia, não forem equacionadas. Para ele esse porcentual colocaria o carro brasileiro em condições de competir com os asiáticos, principalmente, em mercados vizinhos.

 

“É coisa de maluco pensar que um carro sai de Seul, na Coreia do Sul, de navio, passa pelo Panamá e chega em mercados aqui na América do Sul com preço mais competitivo do que um produzido em Betim ou Goiana. A diferença chega a 15% a 20%, somados tributos, infraestrutura e outros custos maiores locais. Então se pegarmos um pouco mais desse mercado já estará ótimo. Levamos a proposta, agora cabe ao governo analisar.”

 

Sobre a Argentina Filosa mostrou ceticismo com o plano Juni0KM, que concederá descontos à compra de automóveis durante este mês. Embora o movimento nas concessionárias tenha crescido nos primeiros dias ele ponderou que poderá haver movimento de antecipação de compras, em vez de aumento na demanda.

 

Para ele a economia argentina parou de cair, mas segue em ritmo lento. De positivo houve a safra boa deste ano, que ajudará a elevar a entrada de dólar, mas a tendência é de manutenção da volatilidade ao menos até o fim do processo eleitoral.

 

Mas, se lá o ano está perdido, no Brasil a crença é de recuperação – quem sabe, ainda este ano: “Estamos em junho, o ano não está perdido. Temos ainda seis meses pela frente”.

 

Foto: Leo Lara/Divulgação.