General Motors trabalha sua agenda 2020

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Foto Jornalista  Bruno de Oliveira

Por Bruno de Oliveira

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23/10/2019

São Paulo – É possível afirmar que 2019 está sendo sido histórico para a General Motors no Brasil. No mínimo, agitado. Após cogitar a possibilidade de deixar o mercado nacional e gerar o movimento que deu origem ao IncentivAuto em São Paulo, a empresa trouxe novidades importantes para a região – como a produção do nova linha do best-seller Chevrolet Onix e sua família de motores. Apesar dos fatos, ainda há muito a ser feito e a pauta da montadora segue com vistas a 2020.

 

À Agência AutoData, em entrevista exclusiva, o presidente Carlos Zarlenga demonstrou que a companhia deu início a uma espécie de segundo movimento em busca de maior rentabilidade na região, um assunto recorrente sobretudo na casa matriz, nos Estados Unidos, de onde vozes diretivas pedem mais lucro e menores custos nas fábricas que sustentam sua operação global.

 

Uma primeira meta, aqui, é a de fazer com que o governo ofereça condições para tornar viável maiores volumes nas exportações – que hoje, em função da Argentina, estão em queda. Nesse sentido a montadora assumiu o papel de capitã no time de montadoras associadas à Anfavea e, junto ao governo, negocia formas de se reestabelecer o Reintegra e, sob sua ótica, tornar o cenário das exportações mais competitivo para estimular mais embarques.

 

“As conversas com o governo estão bem evoluídas sobre uma questão que não é da General Motors, mas da indústria. Existe um entendimento claro do governo sobre a importância de não exportar impostos”, disse Zarlenga. “Aliás, em uma reunião que tive com o ministro Paulo Guedes, ele me disse que não faz sentido nenhum exportar imposto se a gente quer ser competitivo no resto do mundo”.

 

O que está sendo discutido, segundo o executivo, é a elevação do porcentual do Reintegra dos atuais 0,1% para 5%. Mas a medida, no entanto, é paliativa com efeitos no curto-prazo, e a montadora quer observar horizontes mais claros em um tempo mais à frente. Afora a questão do Reintegra, quer que a carga tributária seja reduzida – sem que isso, ao fim, represente menor poder de arrecadação federal.

 

“O alinhamento conceitual é 100% com o governo. Agora ocorre a parte de execução da reforma que tem de ser feita do melhor jeito possível. O governo entende também que outros países da América do Sul devem ser destino de produtos brasileiros, e hoje não são. Quando perceberam isso ficaram chocados. A gente perde para concorrentes asiáticos em um mercado que deveria ser nosso”, contou o executivo. “Se fala muito na reforma e pouco sobre redução da carga”.

 

Outro ponto visto como vetor de redução dos custos operacionais da companhia no mercado brasileiro é o uso de mais modais de transporte para escoamento da produção. A General Motors estuda formas alternativas ao transporte rodoviário, como, por exemplo, o marítimo e o ferroviário. Estipulados os meios, a montadora busca, agora, os fins: “Estamos muito dependentes do transporte por estradas e há uma grande oportunidade para desenvolver outros tipos de transporte. Temos que começar estudando corredores”.

 

“Estamos estudando melhores maneiras para escoar a produção. É um estudo de como seria uma forma de aproveitar melhor o que existe e começar a discutir de forma séria a multimodalidade. Ainda é muito cedo para se dizer qual são os melhores modais. A gente não vai falar sobre isso até a gente saber o que a gente quer fazer”.

 

Procurar melhores maneiras para escoar produção é visto pelo executivo como algo estratégico uma vez que está em curso ofensiva de novos produtos, nacionais e importados. Um exemplo é o do SUV Chevrolet Equinox produzido pela montadora no México. A companhia passará a importar mais modelos da versão LT – no País, por ora, a mais vendidas é a topo de linha Premiere –, o que deverá acrescentar volumes a uma operação logística que já é grande com os novos Onix Plus, um sedã, e que será ainda maior quando estiverem disponíveis nas concessionárias a versão hatch.

 

“O Equinox está vendendo bem. Nós, neste momento, estamos trazendo basicamente o topo do gama em volumes importantes. No segmento de preço dele é líder absoluto. Vamos expandir agora trazendo as versões LT e aí teremos mais participação no segmento também. Não trouxemos mais unidades antes por estarmos focados em outras coisas, mas chegou agora o momento”.

 

Sobre o momento, Zarlenga disse que a empresa – e os concessionários – perceberam que a versão de entrada do Equinox pode vender mais agora: “É um modelo que atua em mercado competitivo a um preço menor do que a versão de topo. Há potencial para se vender mais”.

 

Foto: Christian Castanho.