Governo derruba decreto e aumenta área de plantio de cana

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07/11/2019

São Paulo – O governo federal revogou na quarta-feira, 6, o decreto 6 961/2009 e liberou a expansão da plantação de cana-de-açúcar em áreas da Amazônia e do Pantanal. O decreto é considerado um dos principais fatores que tornou o etanol brasileiro mais competitivo no mercado internacional por representar garantia de origem sustentável.

 

Uma vez derrubado o decreto empresas poderão explorar essas regiões e expandir a produção do etanol. Hoje, segundo dados da Unica, União da Indústria da Cana-de-Açúcar, 1,2% do território nacional é utilizado para o plantio da cana, sendo que, desta fatia, 0,8% se destina ao cultivo para transformação em combustível.

 

Para Evandro Gussi, presidente da entidade, a revogação representa retrocesso: “Esse foi o espírito da revogação do chamado Zoneamento Agroecológico da Cana-de-Açúcar. Esse instrumento, que teve seu papel no passado, ficou justamente lá, um passo atrás, servindo apenas como mais um dos tantos arcabouços burocráticos brasileiros diante da modernidade do Código Florestal”.

 

Estima-se que a área já utilizada para o plantio da cana para produção de etanol seja maior do que a necessária para atender à demanda do combustível. Em um eventual aumento da procura a utilização de pastagens degradadas serviria como alternativa ao plantio em áreas de proteção.

 

Durante a vigência do decreto, que estabeleceu delimitações para plantação de cana, quem produzisse na Amazônia ou no Pantanal não teria acesso a linhas de financiamento no País. Com a queda do decreto cai também a barreira que limitava o acesso ao crédito.

 

Segundo dados da Anfavea, os veículos flex, que utilizam em seus motores tanto a gasolina quando o etanol, representaram 87% das vendas realizadas no acumulado do ano até outubro, chegando a 1 milhão 907 mil 835 unidades. Em setembro dados da ANP, Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, indicaram o maior consumo de etanol hidratado em 2019 – 1 bilhão 870 milhões de litros, crescimento de 4,1% na comparação com o volume consumido em mesmo período de 2018.

 

O aumento se reflete na participação do etanol na matriz de combustíveis do ciclo Otto, que atingiu 48,2% em 2019. Trata-se do maior índice desde 2009, quando atingiu 48,4%, no período de janeiro a setembro.

 

No acumulado do ano a expansão do volume atinge 22,8% em comparação com 2018, superando 16,3 bilhões de litros de etanol.

 

Foto: Divulgação.