Indústria observa com cautela a epidemia de coronavírus

Imagem ilustrativa da notícia: Indústria observa com cautela a epidemia de coronavírus
Foto Jornalista  André BarrosFoto Jornalista Caio Bednarski

Por André Barros

e Caio Bednarski

CompartilheConjuntura
29/01/2020

São Paulo – Possíveis consequências da epidemia de coronavírus surgida em Wuhan, China, estão sendo avaliadas com cautela por executivos da indústria automotiva nacional. Impactos diretos não foram sentidos – nem na parte humana, pois não há casos confirmados de contágio no Brasil, nem na produtiva: as fábricas seguem seu ritmo e não preveem dificuldades no curto prazo.

 

“Não há indicação de problema de suprimento até este momento”, disse o Sindipeças em comunicado. “Ainda não temos informações suficientes para qualquer análise. Haveria mesmo parada igual [na produção] por conta do feriado [do ano novo] chinês.”

 

Em entrevista a jornalistas na quarta-feira, 29, o CEO global da Bosch, Volkmar Denner, demonstrou preocupação: “Se essa situação continuar as cadeias de suprimento serão interrompidas. Há previsões de que o pico de infecções se arrastará até fevereiro ou março”.

 

A Anfavea, procurada, disse nada ter a comentar. A reportagem apurou que a intenção da entidade é seguir as orientações do governo – que, até agora, trabalha na repercussão da epidemia apenas por meio do Ministério da Saúde.

 

Wuhan, epicentro da recente epidemia, é um importante polo automotivo. Berço da Dongfeng, uma das cinco maiores montadoras chinesas, a região atraiu fábricas de Honda, Nissan, PSA e Renault, algumas em parceria com a companhia local. Naturalmente foram seguidas por fornecedores tradicionais, como Faurecia, Valeo e Webasto, dentre outros.

 

Nos últimos dias a produção automotiva local foi paralisada, seguindo o ritmo da cidade. Embora a situação preocupe do ponto de vista de fornecimento de peças e entrega de veículos, o impacto, ao menos por enquanto, é praticamente nulo: como bem lembrou o Sindipeças as fábricas parariam de qualquer forma por causa do feriado do Ano Novo chinês, comemorado em 25 de janeiro. É um período festivo, no qual muitos chineses costumam viajar – daí a forte desvalorização das ações de companhias aéreas e redes hoteleiras.

 

A China foi a principal origem das importações brasileiras de autopeças, de acordo com o Sindipeças. No ano passado desembarcaram US$ 1,7 bilhão em peças e componentes, recuo de 5,2% na comparação com 2018 – no total as importações caíram 16,7%, para US$ 11,3 bilhões. De cá para lá foram enviados US$ 77,2 milhões, queda de 18,2%, dentro de um contexto de redução de 11,4% nos embarques.

 

Lá fora as primeiras repercussões na indústria começam a aparecer. Quatro casos foram confirmados na fabricante Webasto, na Alemanha, após contato com um funcionário que esteve na China. O Grupo PSA anunciou que repatriará os expatriados e suas famílias, 38 pessoas no total, que estão em Wuhan. A Honda adotou medida semelhante.

 

Foto: Divulgação.