Anfavea defende quarentena e cobra coordenação

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Foto Jornalista Marcos Rozen

Por Marcos Rozen

CompartilheBalanço da Anfavea
08/05/2020

São Paulo – O isolamento social como melhor forma de combater a pandemia da covid-19 foi defendido pelo presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, em coletiva à imprensa realizada de forma virtual na sexta-feira, 8.

 

“Defendemos o isolamento. Entendemos que a decisão de governadores e prefeitos é correta, pois é preciso cuidar das pessoas. A saúde dos cidadãos está em primeiro lugar”.

 

Ele afirmou que a iniciativa de paralisar a produção nas fábricas foi voluntária e espontânea, e com isso “o setor automotivo está contribuindo para o achatamento da curva de contaminação”. Para ele, porém, são necessárias ações para “achatar também a curva de retração econômica”, pois “não resta dúvida que teremos recessão, e o seu tamanho dependerá da habilidade de coordenação dos agentes envolvidos. Tem gente em Brasília que ainda não percebeu a gravidade da situação, tanto de saúde quanto econômica”.

 

Do lado econômico Moraes acredita que a crise está sendo agravada por questões políticas: “Falta sensibilidade e responsabilidade na coordenação das ações” – que têm como um dos principais resultados a disparada do câmbio, que já ameaça chegar a R$ 6 para cada US$ 1.

 

Luiz Carlos Moraes não quis comentar diretamente a ida de grupo de lideranças empresariais do Palácio do Planalto para o STF, puxada de surpresa pelo presidente da República na quinta-feira, 7. Um dos presentes ao encontro representava a Anfavea, mas seu presidente disse somente que “a agenda sugerida tratava de Custo Brasil e de questões que afetam a competitividade”.

 

Créditos tributários – Mais tarde, em entrevista reservada a grupo de jornalistas da área de economia, igualmente realizada em ambiente virtual, o presidente da Anfavea pormenorizou proposta apresentada pela entidade ao Ministério da Economia para ajudar a reestabelecer a liquidez das empresas. 

 

Pelos seus cálculos as montadoras têm ao todo R$ 25 bilhões a receber em créditos tributários, cujo reembolso se arrasta há anos: em 2019, também nas contas da Anfavea, o valor era de R$ 14 bilhões.

 

Destes R$ 25 bilhões o governo federal responde por R$ 15 bilhões, relativos a Imposto de Renda e PIS/Cofins sobre exportações, e os estados pelos outros R$ 10 bilhões, devidos principalmente pelo estorno de ICMS pago sobre exportações.

 

“O que propusemos foi que este valor seja utilizado como contra-garantia para o BNDES e, assim, as montadoras poderiam obter financiamento junto a bancos privados tendo o BNDES como garantia. Com isso conseguiríamos acesso a taxas mais aceitáveis.”

 

Moraes reconheceu que este tipo de operação nunca foi feito antes, mas considera que “este é um ativo legítimo, não é virtual. Ele existe. E desta forma não utilizaríamos sequer recursos do BNDES. Não estamos pedindo taxas subsidiadas, incentivos e nem mesmo solicitando o resgate destes créditos. Pedimos apenas que o governo federal aceite como garantia um crédito que é do próprio governo federal”.

 

O pedido, porém, não foi exatamente bem recebido nos corredores do Ministério da Economia – a Anfavea realizou reunião com o ministro, de forma virtual, na quarta-feira, 6, mas nenhuma resposta positiva veio, contrariando a expectativa das associadas: “Não recebemos um ‘não’, mas também não recebemos um ‘sim’. A iniciativa, agora, está com o governo, que segue analisando a questão. Esperamos receber uma resposta o mais rápido possível.”

 

Moraes, contudo, reforçou que “R$ 25 bilhões é muito dinheiro. Se já tivéssemos recebido esse crédito talvez não estivéssemos hoje com tantos problemas de fluxo de caixa. Antes cobrávamos a devolução desses valores para realizar novos investimentos, mas agora o seu uso é para permitir que paguemos as contas”.

 

Fotos: Divulgação e Roberto Parizotti/Fotos Públicas.