São Paulo – O martelo ainda não foi batido. A reportagem da Agência AutoData apurou que a chinesa Great Wall Motors estruturou planejamento para se instalar no Brasil e tem uma alternativa na fábrica da Mercedes-Benz de Iracemápolis, SP, que está desde dezembro sem produzir. Mas ainda não existe negócio fechado.
No domingo, 4, o blog do jornalista Marcelo Ninio n’O Globo, especializado na relação Brasil-China, noticiou que a compra da fábrica da Mercedes-Benz pela Great Wall fora concretizada. No fim do mês passado, inclusive, circularam, no jornal interno da companhia, pormenores técnicos da unidade paulista, confirmando sua adequação para a produção de veículos Great Wall, de acordo com a publicação.
Oficialmente as duas companhias não comentam o assunto. A Mercedes-Benz “não comenta especulações” e a Great Wall Motors “não tem nada a declarar”. Mas a companhia chinesa não nega sua intenção de produzir no País e de estudar alternativas para tal.
Da parte da Mercedes-Benz o negócio seria positivo, pois a segunda empreitada da companhia alemã no País na área de automóveis não foi bem sucedida. Impulsionada pelo Inovar Auto a empresa decidiu, mais uma vez, investir no Brasil e ergueu em Iracemápolis sua fábrica de automóveis que, em sua curta vida, produziu de 2015 a 2020 o Classe C e o GLA. Além da moderna estrutura parada ficou uma dívida de cerca de R$ 70 milhões com o governo, que precisa restituir os 30 pontos de IPI que eram cobrados dos modelos importados com promessa de ressarcimento quando a produção local iniciasse. Não há perspectiva de receber esses valores.
Anos antes investimento em produção de automóveis foi feito em Juiz de Fora, MG, que, após produzir o Classe A e outros modelos para exportação, foi transformada em unidade produtiva de caminhões. Em Iracemápolis restará, ainda, o Campo de Provas da Mercedes-Benz, inaugurado em 2018 – e que tem em caminhões sua especialidade.
A Great Wall Motors namora o mercado brasileiro há cerca de uma década, segundo O Globo. E é líder em vendas, dentre as chinesas, dos dois segmentos que mais crescem e apresentam maior potencial no mercado brasileiro: SUVs e picapes.
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