São Paulo – Início de ano é quase sempre assim: o ritmo de produção diminui com as férias coletivas que ocupam os primeiros dias de janeiro. E, também, há o movimento na ponta do mercado: o consumidor, nesse período, tradicionalmente está na praia ou no campo, e não visitando concessionária e fechando negócios. Mas em janeiro de 2022 outros fatores contribuíram para a redução de 27,4% na produção com relação a igual período do ano passado: o ritmo maior em dezembro e a redução na força de trabalho nas linhas de montagem por causa da variante mais transmissível do coronavírus.
Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, destacou o tradicional movimento da cadeia e do mercado no início do ano e a variante ômicron, para justificar a produção nacional em janeiro, 145,4 mil unidades, o pior resultado da indústria nacional desde junho de 2020, no auge da primeira onda da pandemia. Além da redução em 27,4% sobre janeiro de 2021 o resultado é 31,1% pior do que o de dezembro, quando 210,9 mil unidades saíram das fábricas brasileiras.
“Alguns dias a mais de férias coletivas em janeiro, uma produção mais forte em dezembro, a sazonalidade do mercado e o absenteísmo da mão de obra nas fábricas contribuíram para a redução da velocidade da produção.”
A Anfavea diz que está monitorando semanalmente os casos de contaminação pela covid não apenas nas fábricas das suas associadas mas, também, das empresas ligadas ao Sindipeças. Segundo Moraes os afastamentos do trabalho por essa razão tiveram aumento de 6% a 7% nas últimas semanas: “O nível de transmissão está alto e isso tem consequências na produção. Para fevereiro esperamos que haja a redução do absenteísmo”.
Enquanto a produção de veículos leves foi responsável direta pelo resultado negativo, com queda de 29,2% sobre janeiro de 2021, o segmento de caminhões mantém o bom momento.
Em janeiro saíram das linhas de montagem 9 mil 463 caminhões, 7,5% a mais que em igual período do ano passado. É uma trajetória que demonstra o quanto o mercado está aquecido. Porém, com relação a dezembro, houve queda de 23,7% no ritmo de produção. Ou seja, o impacto da pandemia e das férias coletivas também contribuíram para o menor volume de caminhões no primeiro mês de 2022.
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