Margarete Gandini, do ministério da Economia, participou do Seminário Megatendências 2022
São Paulo – O governo federal pretende anunciar até o fim do mês o Renovar, programa de renovação de frota de caminhões tão ansiado pela indústria e pelo setor de transporte de cargas. Em sua apresentação no Seminário Megatendências 2022, organizado pela AutoData Editora, Margarete Gandini, coordenadora geral de fiscalização de regimes automotivos do Ministério da Economia, disse que a medida provisória já foi assinada pelos titulares dos três ministérios envolvidos no projeto e que está, agora, na Casa Civil para os últimos trâmites.
“Esperamos a assinatura para breve: quem sabe para até o fim deste mês”, afirmou Gandini. “A intenção é a de que ajude a melhorar a produtividade do modal rodoviário e a reduzir o consumo do diesel pelos caminhoneiros.”
Margarete Gandini / Reprodução
O foco da renovação serão os veículos pesados. Segundo ela serão reservados R$ 500 milhões no orçamento, por ano, para o período de 2022 a 2027, para o projeto. A gestão será combinada com indústria e governo, como é feito no Rota 2030 – e como Gandini antecipou há pouco mais de um ano, na edição 2021 do Megatendências.
Ainda no segmento pesado o governo começa a estudar, também em conjunto com a indústria, metas de eficiência energética. Nos próximos cinco anos serão definidas as bases para que, a partir de 2027, a indústria tenha metas a serem cumpridas, com etiquetagem nos mesmos moldes do segmento leve e, talvez, uma medição por pegada de carbono.
A mesma métrica deverá ser adotada no próximo ciclo dos leves, com a medição desde a produção ao uso – o chamado do poço à roda: “O Brasil será o primeiro grande polo automotivo do mundo a definir metas de emissões nesse sentido”.
Indústria e governo falam a mesma língua também na questão da eletrificação. Pelo que Gandini apresentou o biocombustível será protagonista na transição e, quem sabe, até no futuro: “Nossa visão é a de uma eletrificação sem uso de grandes baterias”.
Há ainda conversas para reduzir a burocracia e fomentar a produção local por meio de elevação das exportações. A indústria levou ao governo os problemas que tem hoje e aguarda, agora, medidas que simplifiquem e retirem algumas distorções, como o acúmulo de créditos tributários e resíduos de impostos na exportação.