Em destaque

Governo estende aos veículos leves a nova redução do IPI

Desconto na alíquota passa de 18,5% para 24,75%
Man choosing a car and talking with salesperson

São Paulo – O governo federal decidiu estender aos automóveis e comerciais leves o desconto maior na alíquota de IPI, Imposto sobre Produtos Industrializados. Edição extra do Diário Oficial da União publicada na noite de sexta-feira, 29 de julho, trouxe o Decreto 11 158, que determinou a ampliação da redução do tributo de 18,5% para 24,75%.

O novo porcentual de corte no IPI se assemelha aos 25% concedidos a outros produtos em 1º de março, quando o governo determinou a primeira redução na alíquota, mas os veículos ficaram com o corte de 18,5%. No fim de abril, entretanto, foi anunciada nova diminuição válida para maio, que chegou a 35%, o que incluiu as picapes, os furgões e as vans – porcentual que foi mantido agora –, mas os demais veículos leves ficaram de fora da decisão, o que frustrou o setor.

A pedido da Agência AutoData a Bright Consulting realizou simulação acerca do impacto nos preços dos veículos na ponta. Vale lembrar que o IPI incidente nos veículos varia de acordo com a motorização, combustível e eficiência energética, de 5,7% a 20,4%.

Cassio Pagliarini, diretor da consultoria, exemplificou que automóvel que pagava 10% de IPI em janeiro passou a pagar 8,15% com a primeira redução e, agora, desembolsará 7,525%. Neste caso houve redução suplementar de 0,625 pontos porcentuais na alíquota.

O repasse do corte no tributo, entretanto, ficará a critério de cada fabricante e produto, ponderou o consultor. Diante do cenário da persistente dificuldade na obtenção de componentes para finalizar os veículos, principalmente semicondutores, somado ao maior endividamento da população e incremento das taxas para financiamento, aqueles que já tiveram alguma dificuldade de comercialização deverão fazer a baixa imediatamente a fim de escoar os modelos, avaliou.

“Acredito, inclusive, que o governo permitirá o cancelamento de nota e refaturamento para unidades que estejam no estoque do concessionário. Exitem, ainda, aqueles casos opostos em que falta o produto e o preço tenderá a aumentar, diluindo assim a redução de IPI.”

A análise é partilhada pela Anfavea, que celebrou o novo corte tributário. Em nota, a entidade afirmou que, da mesma forma que ocorreu na redução de março, os veículos que já estão na rede de concessionárias, mas ainda não foram vendidos, podem ser refaturados com a nova alíquota de IPI, o que tende a significar algum alívio no preço dos veículos aos consumidores, dependendo da estratégia comercial de cada fabricante.

Expectativa — Considerando diminuição média de 0,7% no preço dos automóveis e comerciais leves – embora a maioria seja composta por motor 1.0 e, portanto, tenha redução de 0,4% –, Pagliarini estipulou, “usando elasticidade 3:1”, que haverá incremento de vendas ao redor de 2,1%, desde que todos os outros fatores se mantenham estáveis.

Na primeira diminuição de IPI a medida surtiu pouco efeito porque, apesar das campanhas para atrair o consumidor o volume de vendas não cresceu por causa da falta de peças e paradas nas fábricas.

A despeito desse impasse, que afeta a cadeia global de veículos, o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite, avaliou como sensata a decisão do governo, em especial do Ministério da Economia, pelo fato de buscar combater o custo Brasil e aproximar a carga tributária à de outros países com tradição da produção de veículos.

Segundo Leite a redução da carga tributária é um dos meios “para acelerar o processo de reindustrialização do Brasil, aumentar a competitividade e induzir o crescimento do ecossistema industrial automotivo composto por mais de 98 mil empresas, garantir e expandir seus atuais 1,2 milhão de empregos, gerar mais renda, trazer segurança jurídica e dar maior acesso ao consumidor aos produtos do setor automotivo”.

fiat

Notícias relacionadas

Fiat
Fiat

Receba as principais notícias do setor automotivo diretamente no seu WhatsApp.

Receba diariamente as principais notícias do setor automotivo, análises de mercado e tendências da indústria no seu e-mail corporativo.

Fiat