Menos dias úteis e bloqueios nas rodovias atrapalharam os emplacamentos
São Paulo – Apesar de a produção de caminhões em outubro ter sido ampliada em 4,2% com relação a setembro, chegando a 15,6 mil unidades, o que representa alta de 13,5% ante o mesmo mês de 2021, as vendas recuaram: foram emplacados 10,8 mil caminhões, 6,1% menos do que em setembro, quando 11,5 mil unidades foram vendidas. Na comparação com o mesmo período do ano passado o recuo foi de 2,3%, quando as vendas totalizaram 11 mil veículos.
Os dados foram apresentados em coletiva de imprensa da Anfavea na terça-feira, 8. Segundo o presidente da entidade, Márcio de Lima Leite, o número de dias úteis menor ajuda a explicar a redução nas vendas, ao passo que o aumento da produção se deve à maior disponibilidade de peças e semicondutores, o que levou algumas fabricantes a reforçarem a jornada com fins de semana e turnos extras.
Balanço de 2022 — Saíram das linhas de montagem, de janeiro a outubro, 132,3 mil unidades, leve alta de 0,2% frente ao acumulado de 2021. O volume supera ainda a produção no mesmo período em 2020, com 69 mil caminhões, e em 2019, com 98,7 mil unidades.
Quanto às vendas, foram emplacadas 104 mil unidades, queda de 2,2% em relação ao intervalo entre janeiro e outubro de 2021, quando 106,3 mil caminhões foram comercializados. Mesmo assim, o montante supera o de 2020, com 70,7 mil caminhões, e o de 2019, com 83,7 mil unidades.
O segmento que apresentou maior avanço foi o de pesados. Os mercados de leves e médio se mantiveram estáveis, com crescimento inferior a 10% mas, quando se analisa os pesados, a expansão chegou a 81% no ano passado e 80% este ano:
“Isso se deve ao agronegócio e à retomada da indústria e, com isso, começamos a ter cenário de crescimento, mantendo-se o desafio para o próximo ano”.
Sem antecipação — Gustavo Bonini, vice-presidente da Anfavea, assinalou que não houve antecipação de compras de modelos Euro 5, assim como ocorreu na mudança de motorização anterior, devido ao problema de oferta que persistiu durante o primeiro semestre, tanto pela falta de semicondutores como de outros componentes.
“Isso acabou impactando a própria projeção para este ano. No segundo semestre temos visto certa normalidade com alguma restrição. O lado positivo é que são vendas técnicas e, muitas vezes, encaixadas no cronograma de demanda e entrega das transportadoras. Muitas vezes, portanto, se fecha um negócio hoje, mas a entrega se dá em quatro ou cinco meses, quando há a necessidade de fazer o transporte. Isso ajudou a equilibrar a demanda por um lado e, por outro, não houve a antecipação aguardada.”