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Abimaq projeta crescimento de 2,4% na receita do setor

No último trimestre do ano passado aumento do custo do capital puxou queda no desempenho
Worker operating industrial machine in metal workshop.

São Paulo – Desde meados do ano passado o setor de máquinas e equipamentos tem sido fortemente afetado pelo custo do capital que, diante dos juros elevados, inibe a demanda e, consequentemente, reduz o valor a ser investido pela indústria na produção. Frente a essa realidade, mas com certa esperança de que no decorrer de 2023 a situação do crédito melhore, a Abimaq projeta alta de 2,4% na receita líquida das fabricantes.

Quanto aos investimentos previstos, o desempenho negativo das vendas do setor no ano passado, especialmente dos últimos três meses, faz com os R$ 12 bilhões esperados para este ano sejam 21,6% inferiores ao que havia sido anunciado no início de 2022, R$ 15,4 bilhões, e 26,5% menores do que os R$ 16,5 bilhões concretizados.

Segundo a gerente de economia e estatística da Abimaq, Cristina Zanella, a injeção de recursos para modernizar os equipamentos e deixar o parque fabril mais tecnológico impulsionou a consolidação de investimento maior do que o esperado no ano passado – até porque não se esperava aumento dos juros no meio do caminho. Com isto houve alta de 6,7% frente aos aportes de 2021.

A utilização da capacidade instalada das indústrias girou em torno de 80% em 2022 e, embora os pedidos em carteira tivessem se estabilizado, em dezembro houve incremento de 3,3% frente ao mesmo mês do ano anterior: “Trata-se de um bom indicador antecedente”.

A dirigente avaliou que durante todo o primeiro semestre deste ano a questão do crédito escasso, caro e de difícil acesso deverá continuar prejudicando o setor, mas a expectativa é a de que a situação melhore no segundo semestre. Alivia também o fato de que, apesar do aumento de 10% no preço do aço anunciado na virada do ano, insumo crucial para o setor e para a indústria automobilística, nos últimos doze meses os custos para a produção diminuíram.

“Por ora isso não é um problema para o setor produtivo”, contou Zanella. “Não temos recebido críticas acerca disso. Recebemos no ápice da pandemia, em 2021, quando houve forte incremento das matérias-primas. Mas ao longo do ano passado vimos a pressão sobre os custos diminuir.”

Posto isto ela acredita que, de certa forma, haverá menor impacto à produção em 2023, que também será favorecida pelo desaquecimento da economia global, ainda que os custos estejam em patamar elevado.

Destaques por segmento – Quanto aos principais setores o de máquinas agrícolas deverá andar de lado, mesmo com a previsão de safra recorde este ano e da expansão do PIB desse setor em 10%: “Outros fatores, como os juros elevados, podem impactar os investimentos desse segmento, o que justifica nossa projeção de alta de 1%”.

O ramo da construção civil, que viu represamento de diversos investimentos nos últimos anos, em 2023 poderá alavancar a aquisição de máquinas e equipamentos, que deverá crescer 5%: “Notamos que as associações que representam esse mercado têm previsto alta do PIB de 2% a 2,5%”.

Para a indústria de transformação, que envolve máquinas que produzem outros bens de capital, a exemplo de veículos e do consumo de alimentos, é projetada estabilidade: “Novamente o crédito escasso deverá atrapalhar a obtenção de bens duráveis. Por outro lado alimentos e bens não duráveis deverão ter maior crescimento, o que, na média, resultará em empate”.

Para o mercado doméstico a expectativa é crescer 0,6% em 2023. Para as exportações é aguardado aumento de 8,6% nas receitas.

Cristina Zanella afirmou que até os embarques, que vinham em alta e que em 2022 cresceram 21%, contribuirão menos com o resultado do setor este ano, pois o dólar deverá seguir no mesmo patamar, de R$ 5,20 a R$ 5,30, e na conversão o impacto será menor nas receitas das indústrias de bens de capital.

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