São Paulo – Após um ano de muitos recordes, de vendas de caminhões, de ônibus, de serviços financeiros, de participação de mercado, dentre outros, a Volvo inicia 2023 cautelosa, segundo Wílson Lirmann, presidente para a América Latina. Suas projeções indicam um mercado de caminhões acima de 16 toneladas em retração de 23,4% com relação ao ano passado, recuando de 98 mil para 75 mil unidades.
As razões, além da mudança de tecnologia dos motores para a fase P8 do Proconve, equivalente a Euro 6, têm a ver com o cenário econômico brasileiro, especialmente com relação a taxas de juros e inflação. Entram na equação a persistência na crise da cadeia de fornecimento, embora a questão dos semicondutores tenha melhorado, as tensões geopolíticas e a pressão nos custos.
“Jogamos tudo isso no liquidificador e chegamos a estas projeções”, disse Lirmann em entrevista a jornalistas na quinta-feira, 16. “Mas nós, da Volvo, buscaremos ganhar mais participação de mercado e abrir novos destinos de exportação, para que a operação industrial não seja tão afetada.”
O ano passado foi “de entrar para a história” para a Volvo na região, de acordo com Alcides Cavalcanti, diretor executivo para caminhões. As vendas de caminhões saltaram 10%, para 24,1 mil unidades, tornando o Brasil o segundo maior mercado do mundo, superado apenas pelos Estados Unidos. Saíram das linhas de Curitiba, PR, 31,1 mil caminhões, alta de 12% comparado com o ano anterior, o que permitiu bons resultados também no Chile e Peru, com crescimento de 25% e 17%, respectivamente, o que compensou a queda de 12% no mercado argentino.
“Lideramos no Brasil no segmento acima de 16 toneladas, no qual competimos. O FH 540 foi o caminhão mais vendido do País pelo quinto ano consecutivo e o VM 270 foi líder nos semipesados.”
Outros negócios
Recordes também em ônibus: 1 mil 967 chassis produzidos, crescimento de 94%. No Brasil foram 658 veículos comercializados, volume 78% superior a 2021. André Marques, presidente da Volvo Buses, projeta manutenção da recuperação do segmento, um dos mais prejudicados na pandemia: “Acreditamos em um ano similar a 2022 no mercado, com a Volvo ganhando participação”.
A divisão Volvo Financial Services fechou 2022 com R$ 18,3 bilhões em carteira, também recorde, com 45% de aumento comparado com 2021. A seguradora registrou R$ 152 milhões em originação de prêmios e a área de consórcios negociou R$ 1,7 bilhão em novas cotas – os dois também maiores da história. A recém criada operação de locação já tem duzentos clientes, ainda que operando apenas no Paraná, Rio Grande do Sul e Interior de São Paulo.
Euro 6
Até o apagar das luzes de dezembro a Volvo manteve em ritmo normal a produção de caminhões com motorização Euro 5 em Curitiba. Após um mês de férias a fábrica voltou a produzir no fim de janeiro já com a linha Euro 6. O presidente Lirmann disse que a produção está na fase de ramp up.
Agora o Brasil está em pé de igualdade com mercados como o europeu e estadunidense em termos de tecnologia. O que, segundo o executivo, poderá afetar a produção com eventuais faltas de componentes: “Antes estávamos um pouco mais isolados, embora na Europa haja alguma produção de Euro 5 ainda. Agora estamos no mesmo nível dos outros mercados do mundo e passamos a competir com eles também na cadeia de suprimentos”.
O presidente da Volvo América Latina disse que os semicondutores saíram da zona crítica “mas novas dificuldades surgem ao passo que a demanda global avança”.
E não foi só no Brasil que 2022 foi de recordes: mesmo diante do desafio de componentes o faturamento global foi de US$ 45,3 bilhões, ou 473 bilhões de coroas suecas, o maior da história da Volvo.