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Paradas em oito fábricas seguram produção no trimestre

Crescimento sobre a baixa base de 2022 foi modesto segundo a Anfavea
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São Paulo – O saldo do primeiro trimestre foi um duro golpe para a indústria automotiva, período em que oito fábricas chegaram a paralisar suas linhas, algumas mais de uma vez: três das quatro unidades da Volkswagen, em São José dos Pinhais, PR, São Bernardo do Campo e Taubaté, SP, duas da General Motors em Gravataí, RS, e em São José dos Campos, SP, a fábrica da Stellantis em Goiana, PE, a da Hyundai em Piracicaba, SP, e a da Renault em São José dos Pinhais, PR.

Além disso Scania e Mercedes-Benz, ambas plantadas em São Bernardo do Campo, anunciaram a suspensão do segundo turno da produção de caminhões. No caso da Mercedes-Benz o impacto ainda será sentido, pois, neste mês, concedeu férias coletivas a trezentos trabalhadores e, a partir de maio, concentrará a atividade em turno único por dois ou três meses.

Durante a divulgação do balanço da Anfavea na segunda-feira, 10, o presidente Márcio de Lima Leite afirmou que esses dados preocupam bastante, uma vez que no passado as paralisações eram motivadas pela instabilidade no fornecimento de componentes, especialmente semicondutores e que, atualmente, foi adicionado o problema da falta de demanda.

“Este mercado precisa ser reaquecido e retomar patamares sustentáveis. Agora temos até suspensão de turnos, que exercem impacto mais duradouro na produção. E os juros elevados têm sido a principal razão para essa situação. Temos, portanto, muitos desafios de abril até o fim do ano e 1,2 milhão empregos que dependem deste setor”.

O segmento mais afetado nos primeiros três meses de 2023 foi o de veículos comerciais, uma vez que a produção de caminhões encolheu 28,8%, para 24,5 mil unidades, e a de ônibus recuou 29,6%, totalizando 4 mil unidades, quantidades inferiores, inclusive, a igual período de 2020, quando teve início a pandemia no País. A transição da motorização Euro 5 para Euro 6 foi encrenca adicional que pesou contra no cenário de dificuldades macroeconômicas marcado pelo crédito escasso e por inflação e juros em patamares elevados.

Apesar disso, no geral, somando à conta a fabricação de automóveis e de comerciais leves, houve avanço de 8% no período de janeiro a março, somando 536 mil veículos. Leite ponderou, entretanto, que a base de comparação é baixa, pois, nos três primeiros meses de 2022, a crise dos chips vivia seu ápice:

“Este é um trimestre incomparável. No ano passado o primeiro trimestre havia sido o pior desde 2004. E o de 2023 é muito próximo ao de 2022. Estamos com praticamente os mesmos números”.

Em março saíram das linhas de montagem 221,8 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, avanço de 37,3% frente a fevereiro e de 20% com relação ao mesmo mês do ano passado.

A projeção feita pela Anfavea para o trimestre inicial de 2023, no fim do ano passado, indicava para a venda de 30 mil unidades a mais.

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