São Paulo – Ao que tudo indica o segundo semestre de 2024 será de mais crescimento das vendas de carros no mercado brasileiro. Fatores como redução na taxa de juros, embora em um ritmo menor que o esperado, estabilidade na inflação e na cotação do dólar, aumento da demanda pela venda direta típica do período e oferta de novos produtos no mercado criam ambiente de maior otimismo para as montadoras.
Foi o que disseram, durante o Fórum AutoData Perspectivas Automóveis, realizado de forma online na segunda-feira, 13, o diretor comercial da Toyota, José Ricardo Gomes, e o diretor de marketing da Renault, Aldo Costa.
Segundo Gomes para a Toyota, que aposta em 2,5 milhões de veículos emplacados este ano, a tendência de mercado está um pouco acima do que a Anfavea projetou em janeiro, sustentado pelo crescimento econômico, também acima do que especialistas estimavam. “Já observamos o crescimento de 5% até maio. Para 2024 projetamos a venda de 200 mil unidades, também acima das 194 mil comercializadas em 2023.”
Para sustentar esse movimento e o título de maior exportadora do País, a marca segue forte na exportação, inclusive, dos veículos híbridos Corolla e Corolla Cross. Até então a montadora vendia a outros países apenas híbridos a gasolina e, agora, deu o primeiro passo com híbridos flex, cujas primeiras unidades foram exportadas para o Paraguai.
Costa assinalou que a participação da Renault vinha estável este ano, o que mudou com o lançamento do Kardian, em abril. “Isso abre o leque da gama e inicia processo de conquista. A Renault está reposicionando sua proposta de valor dentro do mercado nacional, mudando a imagem da marca e com novo alvo de clientes.”
O diretor de marketing da Renault ressaltou que a nova plataforma da montadora RGMP, Renault Group Modular Platform, que embasa o Kardian, é multienergia, e pode receber powertrain a combustão ou híbrido. “Estamos trabalhando no desenvolvimento do híbrido flex em parceria com a Horse. Temos projeto em curso.”
Outro fator que anima os executivos é a estabilidade dos preços nos últimos doze meses em comparação ao período da pandemia. O diretor comercial da Toyota lembrou que o incremento, em alguns casos, chegou a 50%, em todo o mundo.
“Isso se deu, basicamente, por três motivos, instabilidade da cadeia de fornecimento, hoje muito mais estável, o aumento dos juros, o que reduziu a demanda, e os subsídios do governo com relação a auxílio emergencial e a gastos governamentais, o que pressionou a inflação.”
Mas agora, ao que tudo indica, na avaliação dos executivos, isso é passado.