Produção local do componente integra investimento anunciado de R$ 2 bilhões até 2028, que contempla também o chassi de ônibus a bateria e, possivelmente, caminhões
Foi o que afirmou o diretor de desenvolvimento de negócios da Scania Operações Comerciais Brasil, Marcelo Gallao:
“Começaremos a nossa jornada de descarbonização pelo ônibus. Esses R$ 2 bilhões são investimentos que passam por tecnologias verdes e incluem componentes para descarbonizar o diesel, o gás e o elétrico”.
Segundo Gallao além da modernização da fábrica é prevista a nacionalização do motor elétrico que poderá ser usado em ônibus e, também, em caminhões: “Como o sistema de produção é modular e os componentes do caminhão e do ônibus são comuns, tudo o que integra o ônibus pode ser utilizado no caminhão.”
Chamado de EMC 1-2, electrical machine central ou motor elétrico central, sendo o número um referente a quantidade de motores e, dois, ao número de marchas na caixa de câmbio, o componente pode ser aplicado, por exemplo em caminhões de distribuição de até 230 KW. De acordo com o executivo até mesmo a bateria do ônibus é intercambiável e poderá integrar um caminhão no futuro.
Pormenores acerca dos planos da Scania para estender a produção local aos caminhões elétricos, porém, ficarão para a Fenatran 2024, realizada na São Paulo Expo de 4 a 8 de novembro. Atualmente apenas dois veículos a bateria da marca foram importados para a PepsiCo.
Segundo Marcelo Gallao existe equipe dedicada a ampliar o porcentual de localização do chassi elétrico da Scania até que ele comece a ser produzido. Foto: Wagner Menezes/Divulgação.
Por ora, dentro do que foi anunciado para o ônibus elétrico made in São Bernardo do Campo e batizado de K230E B4x2LB, que começará a ser vendido durante a Lat.Bus 2024 entre 6 e 8 de agosto, também no São Paulo Expo, sabe-se que serão importados o motor elétrico, bateria e cabos laranja de alta voltagem.
A importância deste componente, disse o diretor de desenvolvimento de negócios, se dá pela durabilidade do produto. Um pneu normal dura 50 mil quilômetros em um ônibus a diesel mas com a tração elétrica o desgaste é maior e, portanto, ele seria suficiente para rodar menos da metade, 20 mil quilômetros.
Nacionalização começa com 20% e objetivo é chegar aos 60%
Gallao estimou que os primeiros ônibus elétricos serão entregues com 20% de localização em termos de valores: “Para classificar o índice de nacionalização o governo brasileiro considera a pior condição, em peso ou valor. Como a bateria é o item de maior valor, conta muito na localização. Em termos de peças mais de 60% do ônibus é local. Mas somente a bateria, por seu valor agregado e peso, eleva o porcentual de componentes importados para 80%”.
Mas o plano é que até setembro do ano que vem a situação mude, uma vez que há profissionais dedicados apenas a ampliar o porcentual de localização “e, é claro, trata-se de uma corrida, e por isto temos equipe de compras focada na nacionalização. É preciso acompanhar se o fornecedor passou nos nossos testes, se foi aprovado em qualidade e segurança e se foi homologado pelo Inmetro”.
A meta, conforme o executivo, é alcançar as regras para ter acesso ao Finame, com 60% de localização do valor ou do peso. Bateria é um item em que a montadora está de olho pois empresas no Brasil já estão ensaiando a produção local: “Hoje a bateria a ser usada no ônibus é sueca e Scania, fabricada pela Northvolt, mas é verde. E é muito difícil achar fornecedor no Brasil com componentes verdes que garantam ESG”.
Por enquanto serão importados para compor o veículo o motor elétrico, bateria e cabos laranja de alta voltagem. Foto: Divulgação.
Ele ponderou que embora de 70% e 80% da matriz energética brasileira seja renovável, geradas por fontes eólica, solar e hidráulica, a montadora contrata somente energia que não tenha origem fóssil para operar a unidade local, o que gera custo adicional. Sobre planos de a Northvolt produzir no País Gallao afirmou que, por enquanto, não: “É preciso ter um volume de vendas maior para justificar fábrica de baterias da Northvolt aqui”.
Na Suécia o processo de produção exclui eletricidade gerado por carvão e concentra-se em fontes limpas, o que resulta em uma liberação de CO2 70% menor: “Nós queremos um produto livre de emissões desde a fabricação. É por isso que demoramos um pouco mais até comercializar”.