É o que aponta estudo da Anfavea encomendado à BCG e que será apresentado durante a COP 30
São Paulo – Em preparação para a COP 30 a Anfavea encomendou estudo ao BCG, Boston Consulting Group, em que são mensuradas, pela primeira vez, as emissões de CO2 do berço ao túmulo, ou seja, desde a extração de matérias-primas até o descarte de carros, caminhões e ônibus. O resultado: os veículos brasileiros têm a menor pegada de carbono do mundo.
Segundo Masao Ukon, sócio sênior e diretor executivo do BCG, o estudo buscou fazer uma fotografia da pegada de carbono dos veículos produzidos no Brasil, com as diversas tecnologias e em segmentos distintos, para entender todo o ciclo de vida e comparar as emissões com as de unidades fabricadas em outros países – o que contou com o apoio da rede internacional da consultoria.
“A conclusão de que os veículos brasileiros têm a menor pegada de carbono do mundo se dá porque o Brasil desfruta de matriz energética mais verde, essencialmente renovável, em 90%, e uma infraestrutura de biocombustível em amplo uso, seja em veículos leves com etanol puro ou misturado à gasolina, seja com biodiesel misturado ao diesel.”
Além do ensejo da COP 30 a importância do levantamento se dá pelo Programa Mover, Mobilidade Verde e Inovação, que prevê o cálculo da pegada de carbono no ciclo de vida como critério a partir de 2027 para a concessão de incentivos visando à descarbonização da frota brasileira.
Intitulada Caminhos da Descarbonização: a Pegada de Carbono no Ciclo de Vida do Veículo, a pesquisa foi desenvolvida ao longo deste ano e usou como referência as emissões de veículos leves e pesados equivalentes, rodando no Brasil e nos principais mercados do mundo: União Europeia, Estados Unidos e China.
Um dos comparativos do estudo mostra que um automóvel médio flex abastecido com etanol reduz emissões em 60% frente ao uso de somente gasolina. Considerando a vida útil de 160 mil quilômetros são lançadas 14 toneladas de CO2 equivalente com etanol, e 35,5 ton CO2e com gasolina com 30% de etanol. Na União Europeia este veículo emite 43,5 ton CO2e, nos Estados Unidos 44,2 ton CO2e e, na China, 51 ton CO2e.
“Carros produzidos, com uso e descarte no Brasil, têm a menor emissão de CO2 ao longo da vida”, disse o presidente executivo da Anfavea, Igor Calvet. “Independentemente do combustível que estamos utilizando dentro deste produto, seja etanol, gasolina ou meio a meio.”
Para efeito de comparação, na análise de um automóvel médio 100% elétrico, rodando no Brasil com bateria ocidental, lança 11,2 ton CO2e e, com bateria chinesa, 14,2 ton CO2e. Na União Europeia emite 16,4 ton CO2e, nos Estados Unidos, 21,8 ton CO2e e, na China, 33,5 ton CO2e.
“Fizemos aqui um comparativo hipotético, uma vez que ainda não são produzidos carros elétricos no Brasil. Mas, caso já fosse produzido e rodasse no País, emitiria menos da metade do chinês rodando por lá.”
Mais: um veículo a gasolina fabricado e rodando no Brasil polui praticamente o mesmo que um a bateria produzido e rodando na China. E um carro a etanol tem lançamento ligeiramente inferior a um 100% elétrico com bateria chinesa em circulação no País.
No caso dos híbridos flex brasileiros movidos a etanol a pegada de carbono é muito menor comparada aos híbridos no Exterior: 11,9 ton CO2e com etanol e 27 ton CO2e com gasolina frente a 32,7 ton CO2e do europeu, 33,6 ton CO2e do estadunidense e 39,2 ton CO2e no chinês.
“Temos uma vantagem competitiva que pode ser melhorada, o que exige esforço de toda a cadeia produtiva brasileira mas, comparativamente ao mundo, estamos melhores, o que é algo a ser destacado em ano de COP 30.”.
Nos pesados Brasil também leva vantagem
Dados do estudo, que se estendem também aos pesados, mostram que os VUCs, caminhões urbanos de carga, com 300 mil km de vida útil, a diesel com 15% de biodiesel, emitem menos do que um caminhão 100% elétrico na China, com 220 ton CO2e do modelo a combustão versus 250 ton CO2e do movido a bateria.
Se o caminhão em questão for abastecido com 100% de biodiesel, com 84 ton CO2e, descarboniza quase que como um elétrico, que emite 76 ton CO2e – o mesmo que um VUC na União Europeia. Na China lança 204 ton CO2e e, se for um elétrico chinês que rode lá, 250 ton CO2e.
“Emite mais que o triplo que o brasileiro rodando por aqui.”
Os ônibus urbanos a diesel são os que menos emitem no mundo, de acordo com o estudo, que considerou vida útil de 700 mil km por causa dos 15% de biodiesel adicionado: são 991 ton CO2e. Na Europa e na China são 7%, com emissões respectivas de 1 mil 147 ton CO2e e 1 mil 218 ton CO2e, mesma quantidade que nos Estados Unidos, sem biodiesel.
De acordo com Masao Ukon “o uso do biocombustível para descarbonizar pesados é essencial”.
Para caminhões que percorrem longas distâncias, considerando o transporte rodoviário, o biometano é alternativa mais limpa, o que, apesar dos entraves para elevar a produção, coloca o Brasil em posição de destaque.