Com autonomia de até 450 quilômtros novos ônibus reforçam estratégia de diversificação energética do sistema
Goiânia, GO – A Scania e a Marcopolo entregaram na sexta-feira, 27, os primeiros oito ônibus urbanos articulados movidos a biometano para integrarem a operação do sistema BRTde Goiânia, GO. A ideia do projeto é que até o fim de 2027 a frota cresça para 501 veículos do segmento incorporados ao transporte público da RMTC, Rede Metropolitana de Transporte Coletivo, que dispõe de investimento superior a R$ 2,5 bilhões.
Os veículos Viale Express Articulado, com chassi Scania K 340C ACX2/2 NB Euro 6, oferecem até 450 quilômetros de autonomia e atenderão a demanda de 2,5 milhões de passageiros por mês. Para isto Goiânia desenvolveu o Bioposto Novo Mundo, ainda em fase final de instalação, com capacidade para abastecer dezesseis ônibus a cada 20 minutos.
Para Alex Nucci, diretor de vendas da Scania, o projeto reposiciona o papel do transporte coletivo na agenda climática.
“Estamos falando de uma solução já madura, com desempenho equivalente ao diesel, mas com potencial de redução de emissões de até 90% quando abastecida com biometano. É uma alternativa concreta para descarbonizar sistemas de alta capacidade sem comprometer a operação.”
Do lado da operação Laércio Ávila, diretor executivo do Consórcio BRT, destacou que a introdução da nova tecnologia foi desenhada para atender às características do sistema metropolitano, que integra 21 municípios: “É um projeto executado a várias mãos para conformar uma operação confiável. A autonomia de cerca de 400 quilômetros garante segurança operacional em uma rede de grande escala”.
O cronograma prevê expansão gradual da frota. Após os oito primeiros veículos a expectativa é chegar a 79 ônibus articulados movidos a biometano até setembro, além de modelos padrão para linhas alimentadoras. Em 2026 devem ser incorporados 101 veículos, com crescimento progressivo até alcançar os 501 previstos em 2027.
Além do apelo ambiental o biometano é visto como peça estratégica na economia local. Produzido a partir de resíduos da agroindústria o combustível pode transformar um passivo ambiental em insumo energético, segundo Ávila: “Estamos fomentando uma política pública que impulsiona a economia do Estado, com forte vocação agroindustrial”.
Ele acrescentou que, com a futura usina em Guapó e a construção de um gasoduto dedicado, o custo do combustível tende a se tornar competitivo com relação ao diesel e ao elétrico.
Na prática, segundo o executivo, Goiânia aposta em uma matriz energética diversificada. O sistema já conta com ônibus Euro 6 e elétricos, e agora incorpora o biometano como alternativa intermediária: “São tecnologias complementares. O diesel ainda garante robustez e capilaridade, o elétrico tem custo energético estável e o biometano combina autonomia elevada com menor impacto ambiental”.
Do ponto de vista da indústria o desenvolvimento dos articulados exigiu adaptações específicas. Segundo Alexandre Cervelin, gerente comercial de mercado interno da Marcopolo, o principal desafio foi alcançar a autonomia necessária sem comprometer a capacidade de transporte:
“A instalação dos cilindros de gás no teto exige um rearranjo estrutural e equilíbrio de peso dentro da legislação. Foi um trabalho de sintonia fina com a Scania”.
Os ônibus têm 19m22 de comprimento, capacidade para até 145 passageiros e contam com itens como ar-condicionado, iluminação em LED, entradas USB e acessibilidade ampliada. Outro diferencial é o uso de cilindros de armazenamento do tipo 4, em fibra de carbono, mais leves e com maior capacidade, o que contribui diretamente para o desempenho operacional.
Os ônibus operarão em cerca de 108 quilômetros de extensão do BRT Leste-Oeste, considerado o principal corredor da Capital goiana, e incorporam a nova tecnologia em um momento de modernização do sistema, que inclui a renovação de terminais e a ampliação da infraestrutura energética.